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Delta


 Geografia Fisica

Ao contemplar os braços em que o rio Nilo se desdobra na embocadura, o historiador grego Heródoto observou que a foz formava uma figura triangular, que ele chamou delta por semelhança com a letra grega que leva esse nome.
Um delta é formado pelo conjunto de terras baixas originado da acumulação dos materiais aluviais (barro, limo, areia, cascalho) que um rio transporta e deposita em sua foz, devido à rápida redução de velocidade que a corrente experimenta ao penetrar na massa de água marinha.
Os deltas se formam tanto no litoral marítimo como na entrada de um rio num lago. Além disso, não são necessariamente emersos; podem ser submarinos, embora tendam a emergir com a progressiva acumulação de sedimentos.
Para que surja um delta é necessário, em primeiro lugar, que o rio carregue significativa quantidade de aluvião; quando chega à foz, sua corrente logo perde velocidade e torna-se incapaz de continuar transportando os materiais. As partículas grossas se depositam primeiro, enquanto as argilas e outros materiais finos continuam em suspensão até chegarem às águas mais profundas, onde se depositam. O contato da água doce com a salgada faz com que as argilas mais finas se aglomerem em grandes agregados, que se vão acumulando no fundo do mar. Os depósitos recobrem primeiro o leito da foz; se a profundidade do mar não for grande, continuam por este adentro.
A segunda condição é que a depositação aluvial se efetue num ritmo mais intenso do que o da entrada dos materiais pelo mar. Por isso, os deltas se formam com maior facilidade sobre as costas dos mares tranqüilos ou fechados. Destacam-se os dos rios Mississippi (Estados Unidos), Orinoco (Venezuela), Volga e Lena (Rússia), Nilo (Egito), Ganges-Brahmaputra (Índia-Bangladesh) e Pó (Itália). Contudo, os deltas não são exclusividade dos mares tranqüilos. Alguns se formam em mares abertos, em virtude da abundante carga aluvial dos rios. Cabe citar os do Níger, na costa ocidental africana; do Amazonas no Brasil; do Amarelo (ou Huanghe) e Yangzi (ou Yang-tsé), na China; e do Mekong, no Vietnam.
Evolução do delta. O rio deposita aluvião sobre as margens e no fundo de seu leito, formando braços entre os quais subsistem marismas e lagunas. Em épocas de grandes cheias, abre-se às vezes novo canal para o mar, que substitui um antigo braço do rio. Quase sempre o mar colabora com o rio na formação do delta, constituindo, com suas correntes, cordões litorâneos que completam o fechamento do triângulo.
Embora o delta seja uma forma móvel (entre 3 e 60m anuais), sua progressão não é indefinida. Quanto mais distantes do mar estejam os braços ou canais que distribuem a água do rio principal, menor é o caudal deles, que vai diminuindo em favor de um novo braço de maior declive, o que contribui para reduzir o desenvolvimento longitudinal do delta. Também a ação erosiva da arrebentação é tanto mais forte quanto mais a embocadura penetra mar adentro. O delta experimenta avanços, mas estes não são permanentes, e em determinado ponto suas dimensões tendem a estabilizar-se pela erosão das marés.
Tipos de deltas. Os deltas apresentam grande variedade de configurações: (a) arqueado, como o do Nilo, com numerosos canais de distribuição que se espalham de forma radial, pela ampla curvatura de sua linha costeira, assemelhada ao contorno de um leque aluvial; (b) digitado, ou de pata de ave (Mississippi), quando cada canal distribuidor origina uma longa projeção de sedimentos que penetra mar adentro; (c) em cúspide (Tibre, na Itália), que é pontiagudo, com as bordas ligeiramente côncavas em direção ao mar e se forma quando um rio desemboca numa linha costeira, onde o embate das ondas é muito forte, e o sedimento transportado pela corrente fluvial se esparrama pela praia em duas direções, a partir do ponto de confluência; (d) estuário (Sena, na França), quando o rio desemboca num longo e estreito estuário e o delta a ele se amolda.
Também se classificaram os deltas em construtivos, quando o mar exerce pouca ou nenhuma influência na sedimentação, e destrutivos, formados pela atividade marinha, quando as correntes ou marés, ou ambas, destroem e transportam os detritos e os depósitos nas proximidades da foz. Um exemplo típico de delta destrutivo, no Brasil, é o da embocadura do rio Doce, no Espírito Santo. O depósito deltaico mede cerca de 160km junto à costa e 40km em sua região mais larga.
Atividade econômica. O aproveitamento agrícola dos deltas depende dos trabalhos prévios de dessecação, já que as culturas são dificultadas pela salinidade dos solos. Os deltas em que não se realizaram suficientes obras de saneamento são zonas pobres, de marismas, muito insalubres (Mississippi, Pó). Contudo, os deltas trabalhados durante gerações apresentam grande fertilidade, já que a acumulação de limos e as facilidades de irrigação os tornam ótimas zonas agrícolas. Assim, os deltas da Ásia monçônica (Mekong, Huanghe, Ganges) constituíram o berço das "civilizações do arroz".
Por outro lado, descobriu-se que boa parte das reservas de petróleo se encontra sob o solo de antigos deltas, o que provocou significativo aumento de sua importância econômica.
Importantes cidades costeiras, articulações entre tráfego marítimo e fluvial, surgiram às margens dos deltas: Alexandria, no Nilo; Calcutá, no Ganges; Xangai, no Yangzi; Nova Orleans, no Mississippi. Em virtude do crescimento dos deltas, algumas povoações e cidades, que há centenas de anos estavam na foz de um rio, encontram-se hoje vários quilômetros terra adentro. A formação de depósitos de sedimentos exige a manutenção de um canal aberto, para que embarcações possam chegar pelo delta até o porto; para tanto, é necessário executar continuamente obras de dragagem.