Crustáceos e Aracnídeos - BioMania
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Crustáceos e Aracnídeos


 Invertebrados

1. Os Crustáceos

Essa classe de artrópodos caracteriza-se por possuir dois pares de antenas, o corpo dividido em dois segmentos (cefalotórax e abdome) e pela presença de numerosos pares de patas (geralmente cinco ou mais), sendo que muitos deles apresentam apêndices birremes adaptados à natação. Há crustáceos sésseis, como as cracas, que vivem fixas a um substrato. Outros, como o paguro (ou bernardo-eremita), apresentam a porção posterior do corpo desprovida de exoesqueleto, e ocupam a concha deixada por moluscos mortos.

Os representantes mais conhecidos são os camarões, os siris, os caranguejos e as lagostas. Habitam ecossistemas marinhos e de água doce, havendo mesmo representantes de ambiente terrestre úmido (o tatuzinho-de-jardim).


Nos ambientes aquáticos, a vasta população dos microcrustáceos, como os copépodes e o krill, tem papel fundamental nas teias alimentares. Formam o chamado zooplâncton, e são consumidores primários. Alimentam-se do fitoplâncton constituído por algas unicelulares, e servem de alimento para outros animais. Correspondem, nos ambientes aquáticos, aos herbívoros terrestres pois, enquanto as plantas são os principais organismos fotossintetizantes dos ambientes terrestres, as algas ocupam essa posição, nos ambientes aquáticos.

O cefalotórax, porção mais anterior do corpo formada pela fusão da cabeça com o tórax, é coberta por uma peça de exoesqueleto, a carapaça, dotada de uma extremidade serrilhada chamada rostro. No cefalotórax, ligam-se os principais apêndices articulados desses animais. O último dos segmentos do abdome é o télson e, ao lado dele, estão os urópodos.

A boca é ventral e encontra-se entre as mandíbulas, peças mastigadoras. O tubo digestivo é completo, e apresenta algumas glândulas anexas como o hepatopâncreas.

O sistema circulatório dos crustáceos é aberto, e transporta nutrientes, resíduos metabólicos e, ainda, os gases respiratórios, sendo provido do pigmento respiratório hemocianina, que contém átomos de cobre e é responsável pelo transporte do oxigênio.

A respiração é branquial, e a morfologia das brânquias é bastante diversificada, de acordo com a espécie. Geralmente, permanece dentro da carapaça do cefalotórax. Alguns crustáceos são capazes de manter a câmara branquial úmida, o que possibilita a sua permanência fora d"água por certos períodos, como fazem os siris e os caranguejos.

Os resíduos metabólicos, recolhidos pelo sangue e presentes nas hemoleces, são excretados pelas glândulas verdes ou antenais, presentes no cefalotórax e que se abrem nos poros excretores, localizados perto das inserções das antenas.

O sistema nervoso inclui o cérebro, formado pela fusão de alguns glânglios nervosos, e por um cordão nervoso ventral. Os olhos são compostos, semelhantes aos dos insetos.

Os crustáceos reproduzem sexuadamente, com fecundação externa, na maioria das espécies. São dióicos e a maioria das espécies tem desenvolvimento indireto. Os ovos costumam ser incubados junto da face ventral do abdome das fêmeas e, ao eclodirem, liberam uma larva chamada náuplio, nadante e de vida livre. Eventualmente, em uma mesma espécie há passagem por até cinco estágios larvais diferentes. O crescimento dos animais é acompanhado pela ocorrência de mudas.

 

2. Os Aracnídeos



Assim como os crustáceos, os aracnídeos apresentam o corpo dividido em duas partes: cefalotórax e abdome. Seus representantes mais conhecidos são as aranhas, os escorpiões, os ácaros e os carrapatos. Alguns transmitem doenças para seres humanos e animais; outros são responsáveis por envenenamentos (aranhas e escorpiões) e por fenômenos alérgicos (ácaros do pó doméstico).

As aranhas possuem o cefalotórax unido ao abdome por um pedículo. Na região anterior do cefalotórax, estão oito olhos simples e alguns apêndices articulados. As quelíceras são estruturas adaptadas para a captura do alimento, e apresentam a extremidade em forma de garra, dotada de um orifício em que se abre a glândula do veneno. Outro par de apêndices são pedipalpos, úteis para triturar alimentos e, nos machos, para a deposição dos espermatozóides.

No corpo das aranhas, as patas articuladas são quatro pares, e não há antenas. Na porção mais posterior do corpo, abrem-se as fiandeiras, estruturas por onde saem os fios de seda e responsáveis por tecê-los, na formação das teias. A seda é produzida pelas glândulas sericígenas, localizadas no abdome. Ao ser exteriorizada, a seda solidifica-se ao contato com o ar. As teias servem como abrigo, proteção, local de acasalamento e armadilha para a captura de insetos e de outros animais, principal alimentação das aranhas.

O sistema digestivo é completo, e possuem hepatopâncreas. Muitas aranhas, ao inocularem o veneno na presa, inoculam também enzimas digestivas, que realizam digestão extracorporal. Após certo tempo, essas aranhas simplesmente sugam os tecidos do animal morto, já liquefeitos e parcialmente digeridos.

O sistema circulatório é aberto, e o sangue contém hemocianina. A respiração é traqueal, único sistema presente em aracnídeos pequenos. Nos maiores, como nos escorpiões e em muitas aranhas, há uma abertura ventral no abdome, que se comunica com os pulmões foliáceos. A estrutura interna desses órgãos assemelha-se a um livro com as folhas entreabertas, cujas lâminas delgadas são vascularizadas e permitem a ocorrência de trocas gasosas entre o sangue e o ar. Esse tipo especial de respiração pulmonar é chamada respiração filotraqueal.


As aranhas possuem sexos separados (dióicos), porém freqüentemente os machos são menores que as fêmeas, podendo distinguí-los que apresentam no ápice dos palpos.

Os escorpiões são os mais primitivos de todos os artrópodos terrestres atuais.

São aracnídeos que apresentam o corpo alongado, dividido em cefalotórax e abdome. No primeiro encontramos um par de quelíceras, um par de pedipalpos bastante desenvolvidos que termina em forma de pinças e, quatro pares de pernas.

O abdome é formado por duas regiões distintas: uma porção anterior larga e achatada, constituída por 7 segmentos que é denominado pré-abdome; e uma porção posterior, cilíndrica e estreita, formada por 5 segmentos, denominada pós-abdome. O último segmento do pós abdome recebe o nome de telso, pois sua extremidade distal termina em um ferrão onde desemboca a glândula de veneno.

Habitam regiões quentes e secas, escondendo-se durante o dia em vários locais protegidos, saindo à noite para capturar suas presas representadas principalmente por insetos e aranhas que capturam com os pedipalpos e matam com o ferrão.

Apresentam um cefalotórax relativamente curto, e o abdome continua-se com o pós-abdome. Na extremidade do pós-abdome está o aguilhão venenoso. Seus pedipalpos são longos e modificados, apresentando uma pinça na extremidade, semelhante às pinças dos caranguejos. São estruturas de defesa e captura de alimento.

A fecundação dos escorpiões é interna. Em muitas espécies, o desenvolvimento dos ovos também é interno, dentro do sistema reprodutor feminino.

A ordem Phalangida possue o corpo oval e compacto, com pernas externamente finas e longas. São confundidos com as aranhas, porém, seu corpo não é dividido em cefalotórax e abdome. Também não possuem glândula de veneno, se bem que apresentam glândula de cheiro, que são usadas como repelentes. Alimentam-se de sucos de vegetais ou de pequenos insetos.

Os carrapatos apresentam cefalotórax e abdome fundidos, o que dá ao corpo o aspecto de um bloco único. Essa característica também é verificada nos ácaros, alguns dos quais são importantes ectoparasitas humanos, como o Demodex folliculorum, que habita o folículo piloso humano e determina o aparecimento dos "cravos". Outro ácaro, o Sarcoptes scabiei, é o agente causador da sarna. As fêmeas penetram na pele, por onde caminham fazendo túneis epidérmicos nos quais deixam seus ovos. A infestação da pele causa intenso prurido (coceira) e costuma ser acompanhada por infecções bacterianas associadas.