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Crescimento


 Evolução

Em todo organismo vivo se realizam sínteses de compostos químicos com base nos nutrientes recebidos e em fenômenos de degradação energética produzidos pelo consumo vital. Quando os primeiros, anabólicos, superam a intensidade dos segundos, catabólicos, o  organismo vive um processo conhecido como de crescimento.
Chama-se crescimento todo acréscimo das dimensões (volume, altura, peso) e funções em geral de um organismo, a partir dos processos de divisão celular.   Característica de todos os seres vivos, consta de duas fases, distintas mas simultâneas: a diferenciação celular e o desenvolvimento corporal. Assim, o fenômeno verifica-se em diversos níveis de organização biológica: o celular, que abrange os dois mecanismos de divisão das células, a meiose e a mitose; o hístico ou tissular, em que se desenvolvem os tecidos; o sistemático, mediante o qual se produz a associação de tecidos em sistemas e aparelhos fisiológicos; e, por último, o orgânico, pelo qual os organismos alcançam o estado adulto.


Crescimento vegetal. Os vegetais evolutivamente menos desenvolvidos (algas, fungos, musgos) crescem mediante mitoses não localizadas. Nas plantas superiores (vasculares), o crescimento ocorre a partir de tecidos jovens em que as unidades celulares ainda não se diferenciaram e denominam-se meristemas. O processo é determinado por fatores externos, como o clima ou a disponibilidade de nutrientes, e por fatores endógenos, como a produção de hormônios vegetais (por exemplo, auxina ou ácido giberélico).
Em todas as plantas se registra um crescimento primário longitudinal em que intervêm os meristemas situados nas extremidades de raízes e brotos. À medida que se forma um novo tecido, por divisão das células meristemáticas, as partes mais afastadas dessa zona terminal se diferenciam em tecidos especializados como o lenho ou xilema, que transporta água das raízes para as folhas, e o líber ou floema, que carreia alimentos no sentido inverso.
Em determinados vegetais, produz-se ainda um crescimento secundário em espessura, em que se geram células no sentido lateral a partir de um meristema de segunda ordem denominado câmbio, do qual existem dois tipos: o vascular e o suberígeno. O câmbio vascular, situado entre o xilema e o floema primários, produz por sua vez xilema secundário, para dentro, e floema secundário, para fora, constituído de caules e raízes.
O câmbio suberígeno, situado na periferia da estrutura vegetal, dá origem a um tecido celular chamado parênquima suberoso, para dentro e, para fora, produz súber ou felema, conjunto de células de contextura similar à da cortiça, que depositam sobre suas paredes grande quantidade de suberina e morrem. Nas regiões temperadas, os vasos do xilema formados na primavera são maiores que os do resto do ano, o que se observa a olho nu pela alternância de anéis claros e escuros no tronco das árvores. Cada par desses anéis de diferente tonalidade é interessante  indicador do crescimento anual da planta.


Crescimento animal. Depois da formação dos órgãos de um animal pluricelular, durante os processos de desenvolvimento embrionário, eles crescem até alcançar o tamanho em que se apresentam no indivíduo adulto. Em alguns animais, o crescimento se produz de maneira mais ou menos contínua, como é o caso do ser humano. Costuma ser muito acentuado nas primeiras etapas e a seguir decresce paulatinamente, embora possam registrar-se fases de reativação.
Em outras classes do reino animal, como em determinados insetos, a exemplo dos gafanhotos, mantêm-se fases irregulares de crescimento. Por serem cobertos de uma casca espessa, vêem-se obrigados a desprender-se dela periodicamente. Para isso, se inflam, engolindo água ou ar até romperem o envoltório. Depois de formarem outro, regenerado, reduzem outra vez o volume do corpo e deixam espaço para um futuro crescimento.
Enquanto isso, outras ordens de insetos, como a dos lepidópteros, não têm a mesma forma nos estados juvenil e adulto. Para chegar ao segundo, a forma menos desenvolvida, denominada larva, deve sofrer um processo de metamorfose durante o qual se observa radical mudança morfológica, em que o animal não se move nem se alimenta. Nessa fase, denomina-se pupa ou crisálida. As borboletas e mariposas, como também as moscas, são alguns dos seres que experimentam esse tipo de crescimento.
Em todos os animais, o crescimento é condicionado por fatores externos e internos. Entre os primeiros, os mais importantes são nutricionais. Existem quantidades mínimas de substâncias, como as vitaminas ou os aminoácidos essenciais, que devem ser ingeridas na dieta, uma vez que não podem ser sintetizadas espontaneamente pelo organismo.
Também se conhecem fatores intrínsecos do organismo implicados nos processos de crescimento. No homem, a hipófise (pituitária), glândula situada sob a massa cerebral, segrega o chamado hormônio do crescimento, cuja carência impede o desenvolvimento físico normal e provoca nanismo. A mesma glândula segrega os hormônios que propiciam o desenvolvimento sexual. De forma análoga, em insetos como o gafanhoto a muda resulta da ação do hormônio correspondente.
Existem mecanismos que inibem o crescimento. Quando um tecido alcança forma e tamanho definitivos, suas células deixam de dividir-se. Segundo os estudos realizados a respeito, o controle funcional do processo depende das membranas celulares, que são capazes de reconhecer se estão ou não em contato com outras células ou com superfícies limitadoras. Essa característica fisiológica é um fator determinado por transmissão genética.
Em casos anômalos, como os processos cancerosos, registra-se um crescimento desordenado das células de  determinado órgão ou parte do corpo, que acumulam grande quantidade de nutrientes e tanto podem invadir órgãos vizinhos como desajustar seu funcionamento.