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Circulação


 Anatomia Humana

1. Apresentação

Em um animal de pequeno porte ou de corpo achatado, a distância entre suas partes e as células e o ambiente é pequena, o que facilita o trânsito de materiais por difusão simples. Entretanto, animais maiores não podem contar apenas com a difusão, pois trata-se de um processo lento e incapaz de vencer longas distâncias.

Animais de dimensões superiores a poucos centímetros geralmente contam com um sistema interno de distribuição, representado pelo sistema circulatório. Animais que não possuem sistema circulatório são chamados avasculares - poríferos, celenterados, platelmintos e nematelmintos. Esses animais são os mesmos que não têm sistema respiratório: da mesma forma que as dimensões corporais permitem a entrada e a saída de gases, por difusão, outros materiais também podem ser distribuídos dessa maneira.

2. Componentes do Sistema Circulatório

O sistema circulatório possui três componentes: o sangue, o coração e os vasos sangüíneos.

· Sangue: meio líquido de distribuição, estudado anteriormente.

· Coração: embora apresentado habitualmente como um órgão único, nos invertebrados o comum é a existência de diversos corações. Trata-se de uma região dos vasos sangüíneos de parede muscular mais vigorosa, dotada da capacidade de se contrair rítmica e periodicamente, impulsionando o sangue.

· Vasos sangüíneos: tubos pelos quais flui o sangue.

3. Tipos de Sistema Circulatório

Como citamos anteriormente, poríferos, celenterados, platelmintos e nematelmintos são avasculares. Na maioria dos invertebrados, o sistema circulatório inclui diversos corações. O sangue, depois de ser impulsionado para fora deles, percorre o interior de vasos durante certo trecho e passa a correr livremente entre os tecidos do corpo, fora de vasos sangüíneos. Esses espaços percorridos pelo sangue fora dos vasos são as hemoceles ou lacunas. Esse tipo de sistema de distribuição é chamado sistema circulatório aberto ou lacunar, encontrado em moluscos (exceto cefalópodos), artrópodos e protocordados. Uma vantagem desse sistema é permitir contato direto entre o sangue e as células, o que facilita a ocorrência de trocas de materiais entre eles. Entretanto, é uma vantagem apenas aparente.

Sua principal característica é a baixa velocidade do fluxo de sangue e sua baixa pressão. Animais que têm esse tipo de sistema circulatório e dependem dele para transportar gases, como o oxigênio, geralmente são lentos ou não podem correr por longas distâncias. É o caso dos aracnídeos, que possuem respiração pulmonar e sangue com pigmentos respiratórios.

Os insetos, entretanto, possuem respiração traqueal. Apesar da lentidão de seu fluxo circulatório, são animais bastante rápidos e ágeis, pois a chegada de oxigênio e a saída do gás carbônico dos tecidos não depende do sangue, mas ocorre através de um sistema de tubos, como estudamos anteriormente.

Um outro aspecto que caracteriza os animais dotados de sistema circulatório aberto é a pequensa quantidade de células presentes em seu sangue. Habitualmente, o sangue dos animais de sistema circulatório aberto é chamado hemolinfa.

Os animais cujo sangue circula apenas pelo interior de vasos sangüíneos possuem sistema circulatório fechado. São eles os anelídeos, os moluscos cefalópodos (como o polvo e a lula) e os vertebrados. Nesse tipo de sistema, a pressão do sangue é elevada e o fluxo, rápido, o que permite uma eficiente distribuição de materiais e compensa a ausência do contato direto entre o sangue e os tecidos. As trocas realizam-se no nível dos capilares, onde existe a parede desses vasos interpondo-se entre o sangue e as células ao redor.

4. Os Vasos Sangüíneos

Podem ser de três tipos:

· Artérias: vasos de parede espessa, rica em fibras musculares lisas e fibras elásticas, resistente a altas pressões, pelos quais o sangue deixa o coração.

 

· Veias: vasos de parede mais delgada que a das artérias, com muito colágeno e fibras elásticas e poucas fibras musculares, e que levam o sangue de volta ao coração.

· Capilares: são os vasos de parede mais fina, formada na verdade por uma única camada de células. Representam a única região do sistema circulatório onde ocorrem trocas de materiais entre o sangue e os tecidos ao redor.

Pelas artérias , o sangue flui sob elevada pressão, resultado da contração do coração. Por sua vez, o fluxo de sangue pelas veias ocorre sob pressão baixa. Isso representa um problema, pois o retorno do sangue ao coração muitas vezes acontece contra a gravidade. A volta do sangue da periferia do corpo até o coração é chamada retorno venoso.

O retorno venoso só é possível em função de dois fatores:

· A presença de válvulas no interior das veias, que impedem o refluxo do sangue.

· A contração dos músculos das pernas, que comprimem as veias e auxiliam a subida do sangue, comportando-se como um "coração periférico".

Em pessoas que permanecem muito tempo em pé, principalmente sem muita movimentação (dentistas, professores, funcinários de bancos, etc.), a pressão hidrostática contrária ao retorno venoso é elevada e o auxílio da musculatura é reduzido. Em função disso, o retorno venoso é lento, as veias tendem a se tornar engurgitadas, formando dilatações tortuosas chamadas varizes. Nas mulheres, isso é acentuado por fatores hormonais e pelas gestações, quando o útero aumentado constitui um agente adicional de dificuldade ao retorno venoso das pernas, por comprimir a veia cava inferior.

O leito capilar é o território das trocas. Durante a passagem do sangue pelos capilares, gases respiratórios, nutrientes e excretas são trocados entre o sangue e os tecidos. Cerca de 1 a 2% do fluido que extravasa dos capilares em sua extremidade arteriolar não retornam pelo lado venoso, sendo recolhidos pelos vasos linfáticos. Esse líquido, chamado linfa, contém água, sais, proteínas, restos celulares e outros materiais, além de ser uma via de penetração de microorganismos.

O grande inchaço verificado na infestação causada pela Wuchereria bancrofti deve-se à obstrução dos vasos linfáticos por esees vermes, o que dificulta a drenagem da linfa. As regiões mais frequentemente acometidas são as pernas, embora mamas, braços e bolsa escrotal possam ser afetados.

5. Os Órgãos Linfáticos

De trechos em trechos, os vasos linfáticos passam pelo interior dos gânglios linfáticos, que atuam como verdadeiros filtros da linfa. Nesses locais, há grande quantidade de células de defesa, como linfócitos e macrófagos. Órgãos dotados desse rico tecido de defesa são chamados órgãos linfóides. Em casos de infecção na área drenada para um determinado grupo de gânglios linfáticos, esses gânglios retêm bactérias e restos de tecidos lesados, aumentando bastante de tamanho, tornando-se inflamados e doloridos. Esse quadro é conhecido por íngua.

Depois de convenientemente filtrada, a linfa drenada de todo o corpo é recolhida pelo ducto torácico, um calibroso vaso linfático. Dessa forma, a linfa termina por juntar-se ao sangue.