Astronomia - BioMania
O melhor portal biológico da internet!



Astronomia


 Astronomia

Desde os primórdios da história humana, a observação dos corpos celestes atraiu a atenção das sociedades, mesmo as mais primitivas, e influiu, como testemunham vestígios arqueológicos da pré-história, no pensamento mágico do indivíduo sobre as questões sobrenaturais de sua existência.
A sedentarização progressiva das culturas do neolítico, cujas atividades econômicas se resumiam à prática da agricultura e à criação de animais, correspondeu provavelmente ao nascimento da astronomia como a mais antiga das ciências da natureza. A necessidade de regular os cultivos exigiu um conhecimento profundo das estações do ano, razão pela qual milênios de contínua observação do firmamento levaram o homem do neolítico a descobrir os ciclos dos movimentos dos astros, reconhecidos por meio de agrupamentos chamados constelações.

A astronomia, ciência que estuda as características físicas, o movimento e a evolução dos corpos celestes, conjugou, desde sua remota e incerta origem, o rigor da observação do céu com hipóteses e superstições sobre a natureza e a criação do cosmo, freqüentemente inspiradas na mística e na teologia.
Como disciplina da física, a astronomia serviu inicialmente como estímulo para a atividade científica em áreas como a matemática e a mecânica. Posteriormente, numa interação com outros domínios da ciência, beneficiou-se dos conhecimentos progressivamente acumulados e de diversos procedimentos para elaborar, com a ajuda de suas leis específicas, teorias capazes de unificar os princípios que regem a evolução contínua do universo e de seus componentes.

Evolução do conhecimento astronômico

A pesquisa arqueológica assinala como os mais antigos centros do saber astronômico as primeiras culturas socialmente desenvolvidas que floresceram em pontos geográficos diversos, entre elas as mesopotâmicas (suméria, assíria e babilônica); as do leito do Nilo egípcio; a da porção oriental da costa mediterrânea; e as civilizações indiana, persa e chinesa. De forma provavelmente isolada, embora com muitas semelhanças, o saber astronômico de alguns povos americanos, especialmente os maias e astecas, se manifestaram na elaboração de calendários solares cujas técnicas de medição do tempo são notavelmente precisas.
Em linhas gerais, a astronomia dessas civilizações se fundamentava num rudimentar mas sólido conjunto de princípios, formulados a partir da observação do céu a olho nu, com os quais se satisfazia uma série de exigências práticas e místicas.
O método de observação celeste, aplicado inicialmente à pesquisa da Lua e do Sol, foi progressivamente aperfeiçoado a ponto de oferecer informação a respeito dos períodos ideais para a semeadura, colheita e outras atividades agrícolas relacionadas à posição de outros corpos celestes no firmamento. O mesmo aconteceu com a divisão da trajetória do Sol ao longo do ano em 12 áreas equivalentes, governadas, cada uma delas, por uma constelação. Esse procedimento deu origem ao sistema do zodíaco, que ainda hoje é útil como método de orientação.

Além de satisfazer o duplo objetivo de criar um guia de navegação e uma técnica para medir o tempo e regular os períodos agrícolas, tais sistemas resultaram, muitas vezes, no estabelecimento de sistemas cósmicos em que os corpos celestes assumiam o caráter de divindades, cujos atos interferiam na vida e no comportamento dos povos e dos indivíduos. Nasceu assim a astrologia, arte divinatória que defende a influência do cosmo sobre o destino das pessoas.
Apesar de sua inspiração mágica, o nascimento da astrologia representou uma evolução para a ciência. A afirmação da periodicidade e da regularidade do movimento cósmico pelos sábios sumérios e babilônicos fez surgir uma doutrina igualmente determinista sobre o comportamento dos homens que, numa religião claramente astrólatra como a que praticavam, levava a crer que as posições dos astros influenciavam o destino dos indivíduos.

A base da astrologia foi transmitida às sociedades gregas, que atuaram como autênticos centros de propagação de seus princípios por todo o mar Mediterrâneo, em particular para o Egito, onde a astrologia sofreu notável impulso. A herança astrológica acompanhou a astronomia durante séculos, até que as idéias racionalistas do Renascimento deram início à demarcação das fronteiras entre a astronomia e a astrologia -- interpretada a primeira como ciência, a outra como técnica divinatória.
Além da função aglutinadora do saber antigo, o pensamento da Grécia clássica legou à posteridade uma concepção estática do mundo, centrada no planeta Terra. A teoria geocêntrica foi exposta num modelo matemático pelo grego alexandrino Cláudio Ptolomeu e, afinada com os princípios metafísicos, sociais e políticos da época, foi transmitida, em conjunto, às culturas romana, árabe e cristã medieval.

A contribuição árabe para a astronomia exerceu influências mais profundas. A fusão da herança cultural indiana e da greco-romana produziu-se no saber islâmico, após a expansão árabe para o Oriente e o Ocidente, e conduziu a astronomia descritiva a um dos pontos culminantes de sua evolução. O trabalho dos sábios islâmicos orientou-se principalmente para a recompilação de textos, tabelas e catálogos, traduzidos para o árabe, o que se confirma pela origem árabe do nome de grande parte das estrelas e constelações registradas nas cartas astronômicas atuais.

A atração que os corpos celestes exerciam sobre os sábios do Islã era, de certo modo, condicionada pelos princípios religiosos que regiam a civilização árabe. Os astrônomos do Cairo, Bagdá, Damasco e, na península ibérica, Córdoba e Granada transcenderam, no entanto, o domínio da magia e do culto aos deuses para dotar seus trabalhos de uma sólida base empírica que, mais tarde, haveria de servir como suporte para o conhecimento dos astros obtido por outras culturas. O enorme trabalho de coleta de dados levado a cabo pelos sábios islâmicos tornou-se ainda mais valorizado em virtude do estancamento científico que ocorreu durante a Idade Média no Ocidente. A interpretação do cosmo segundo Aristóteles continuava ainda em plena vigência no século XIII, época em que apenas contribuições isoladas -- como as Tábuas afonsinas, do rei de Castela Afonso X o Sábio -- renovaram em parte as noções de astronomia aceitas e aprovadas pela Igreja.

O emprego de novas técnicas provocou, durante o século XVI, uma mudança radical na concepção do universo, que se concretizou numa revolução científica de proporções gigantescas. A crise, aberta com a publicação, em 1543, da teoria de Nicolau Copérnico, segundo a qual o Sol se situava no centro do universo e a Terra girava a seu redor, se encerrou um século e meio mais tarde, quando Isaac Newton enunciou os princípios da mecânica e a lei da gravitação universal.

Nesse período produziram-se algumas das mais relevantes descobertas para a história da astronomia e da ciência em geral. A revolução iniciada por Copérnico desencadeou estudos pormenorizados e sistemáticos dos corpos celestes, como os que realizou o dinamarquês Tycho Brahe, autor de descobertas fundamentais para a astronomia, como a refração da atmosfera. O enunciado das leis que regem o comportamento dos corpos celestes, no entanto, deve ser creditado a outra grande personalidade da história da astronomia, o alemão Johannes Kepler, uma das figuras mais importantes e respeitadas da ciência de seu tempo. Antes que Newton fundamentasse a astronomia experimental tal como ela é conhecida hoje, foi essencial o trabalho de Galileu Galilei, que, a partir da observação dos corpos celestes, deu à ciência uma das principais contribuições individuais de todos os tempos. Além de observar satélites e fases dos planetas, demonstrou formulações teóricas de Copérnico, o que lhe valeu a perseguição imposta pela Igreja e uma instabilidade permanente para seu trabalho de pesquisa.

As armas de que se valeram os iniciadores da revolução astronômica provinham de duas fontes principais: o progresso tecnológico, representado pelo emprego de lentes ópticas e dos primeiros telescópios para a observação do céu; e o aperfeiçoamento dos cálculos matemáticos, que abriu aos cientistas a possibilidade de utilizar uma linguagem lógica, concisa e universal para expressar suas idéias.

Com esses recursos, a astronomia experimentou um novo impulso. Seu domínio, no entanto, permanecia reduzido praticamente à investigação do sistema solar, o que permitia registrar, com notável exatidão, os movimentos do Sol, da Lua, dos planetas e de alguns cometas. O descobrimento do planeta Netuno, em meados do século XIX, comprovou a validade do princípio de Newton segundo o qual todos os movimentos planetários obedecem à lei da gravitação universal.

Os preceitos da astronomia clássica começaram a cair por terra com a evolução dos instrumentos de observação. Durante os primeiros anos do século XX, o surgimento de novas teorias físicas também alterou profundamente o panorama da astronomia. A teoria quântica, por exemplo, não apenas representou a comprovação de hipóteses sobre o átomo formuladas desde o século anterior, como também permitiu demonstrar que o universo é povoado de corpos materiais e também de uma infinidade de radiações cuja natureza ainda não havia sido determinada. A teoria da relatividade reduziu a validade da física newtoniana a limites menores que os do universo. Dessa forma, os modelos e as leis que regem as relações entre os corpos celestes tornaram-se mais complexos quanto a sua concepção e formulação simbólica, o que resultou numa progressiva especialização da astronomia.

Em menos de um século, o progresso tecnológico dilatou ao infinito as fronteiras do universo. O sistema solar se tornou, aos olhos da ciência, um dos milhões de conjuntos planetários que compõem a Via- Láctea. Observaram-se inúmeras galáxias do mesmo tipo, que estão em movimento permanente e velocíssimo. Além disso, o emprego de ondas invisíveis, como as de rádio ou raios X, revelou a presença de corpos emissores de radiações não detectáveis com os telescópios ópticos normais.