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Artiodáctilos


 Taxonomia

A ordem dos artiodáctilos é uma das que reúnem animais de maior importância para o homem, por seu significado tanto na alimentação e vestuário (caso dos bois, carneiros, cabras, porcos), como no transporte em regiões inóspitas (camelos, lhamas). Incluindo também os veados, antílopes e hipopótamos, o grupo tem certamente como maior e mais belo representante a girafa, que chega a ter cinco metros de altura.


Características zoológicas. Chamam-se artiodáctilos todos os mamíferos ungulados cujo eixo principal dos membros (mãos e pés) passa entre o terceiro e o quarto dedos, ou seja, suas extremidades apresentam número par de dedos. Cada um desses dedos é bem desenvolvido e de tamanho equivalente, mas o segundo e o quinto são consideravelmente menores ou inteiramente ausentes. Nesse último caso, os ossos metapodiais fundem-se em um "osso canhão" único e as unhas se modificam em cascos.
Quando caminham, os artiodáctilos se apóiam nos dois dedos médios de cada pé; a única exceção é o hipopótamo, cujos quatro dedos tocam o chão. Todos os artiodáctilos recentes, salvo o camelo, possuem cascos. E grande parte deles, especialmente os machos, ostentam pares de protuberâncias frontais, na forma de chifres ou galhadas. Têm focinho comprido e crânio relativamente pequeno. A clavícula não existe. Contam-se sete vértebras no pescoço, de 12 a 16 no tórax, mas o número de vértebras torácicas e lombares nunca excede 19; há ainda as do sacro e da cauda. A distribuição dos dentes é a seguinte: três incisivos, um canino, quatro pré-molares e três molares em cada lado das maxilas inferior e superior, num total de 44 dentes.
O estômago divide-se em três ou quatro seções, geralmente especializadas. As glândulas mamárias localizam-se na região inguinal e, em algumas espécies como a dos suínos, na região abdominal. As glândulas odoríferas distribuem-se por várias partes do corpo, inclusive pelas regiões inguinal, abdominal, dorsal, na frente do olho, testa, pés e cauda. Muitos artiodáctilos possuem olfato desenvolvido e acuidade auditiva, mas têm a visão menos evoluída.
Os artiodáctilos são terrestres. Algumas espécies, como as cabras, podem subir pelas montanhas e escarpas, enquanto outras, como o hipopótamo, preferem viver na água, mas nenhuma é arbórea ou integralmente aquática. Com exceção dos suínos -- onívoros --, todos são herbívoros. A maioria dos gêneros e espécies tem vida gregária, e alguns, particularmente certos antílopes, bisões e caribus, agrupam-se em centenas de milhares de indivíduos.
Todos os gêneros de artiodáctilos existentes ou já extintos pertencem a três subordens: suiformes (famílias dos suídeos, taiaçuídeos e hipopotamídeos); tilópodes (camelídeos); e ruminantes (tragulídeos, cervídeos, girafídeos, antilocaprídeos e bovídeos).


Suídeos. Embora tenham o estômago dividido em seções, os suídeos não são ruminantes. Possuem dentes incisivos inferiores projetados para a frente, caninos bem desenvolvidos e molares guarnecidos de tubérculos (bunodontes). Não possuem chifres.
A subfamília mais importante é a dos suínos, que apareceram na Europa há cerca de 25 milhões de anos. Seu arquétipo, o Palaeochoerus, data provavelmente de fins do oligoceno. O gênero Sus, a que pertencem os porcos atuais, surgiu na Europa no mioceno superior,  espalhando-se pela Ásia durante o plioceno. Outros membros da família do porco são o javali, o porco pigmeu asiático e o porco fluvial africano.


Taiaçuídeos. Os caititus verdadeiros, da família dos taiaçuídeos, diferem dos suídeos principalmente pela forma dos caninos superiores, que se projetam para baixo, e não para fora e para cima, assim como pela presença de uma glândula odorífera complexa (sebácea e sudorípara) no meio do dorso. Os caititus são hoje representados por duas espécies na América tropical: o caititu ou pecari (Tayassu tajacu), que vive em diversos tipos de ambiente, e o queixada, mais comum nas florestas.


Hipopotamídeos. A família dos hipopotamídeos, tipicamente africana e aquática, compõe-se de três gêneros: o Hexaprotodon, já extinto; o Hippopotamus, representado pela mais conhecida espécie dessa família, a do hipopótamo (Hippopotamus amphibius), com até quatro metros de comprimento e 3.500kg de peso, que passa os dias na água, podendo ficar até dez minutos submerso; e o Choeropsis, cujo representante é o hipopótamo pigmeu ou anão africano (Choeropsis liberiensis), animal solitário e menos ligado à água. Nesses dois últimos gêneros os caninos inferiores e os incisivos laterais superiores são enormes.


Tilópodes. Apesar de diferirem dos verdadeiros ruminantes pela estrutura dos pés e da dentição, os tilópodes também são ruminantes e dividem-se em duas famílias: camelídeos, constituída pelos gêneros Camelus e Lama, e xifodontídeos, extinta. Os camelos apareceram na América do Norte durante o eoceno superior, há cerca de quarenta milhões de anos, e apenas no pleistoceno se espalharam pela Ásia e América do Sul. São hoje representados por duas espécies do Velho Mundo, ambas domesticadas: o camelo árabe (Camelus dromedarius), de uma só giba, e o bactriano (C. bactrianus), de duas gibas. Os camelídeos da América do Sul pertencem ao gênero Lama e espalham-se pelos Andes e a Patagônia. Há duas espécies selvagens: a vicunha (L. vicugna) e o guanaco (L. glama guanicoe). A lhama e a alpaca (L. glama glama e L. g. pacos) são as raças domésticas do guanaco.
Os xifodontídeos, a que pertencem os primitivos selenodontes do eoceno médio e oligoceno inferior da Europa, assemelhavam-se muito aos camelídeos, mas não são seus ancestrais.


Ruminantes. Subordem mais difundida, variada e abundante de todos os ungulados, os ruminantes são o grupo de herbívoros existente no mundo inteiro. Apareceu há cerca de trinta milhões de anos. A denominação deriva da ruminação a que o animal submete os alimentos.
O mais primitivo dos ruminantes recentes é o trágulo, da família dos tragulídeos, que surgiu provavelmente no mioceno e ocorre na região indomalaia. Os hipertragulídeos compõem outra família de artiodáctilos extintos, a que pertencem ancestrais dos ruminantes atuais, como o Archaeomeryx, do eoceno superior da Mongólia, e o Leptomeryx, do oligoceno norte-americano.
A família do veado, cervídeos, evoluiu a partir de tragulóides primitivos, durante o oligoceno. O ramo americano dessa família apareceu entre 29 e trinta milhões de anos atrás. A família da girafa, girafídeos, surgiu há cerca de 25 milhões de anos no mioceno da Ásia, de onde se espalhou pela Europa e África. Os gêneros existentes incluem as girafas africanas (Giraffa) e os ocapis (Okapia). Os antilocaprídeos apareceram durante o mioceno da América do Norte. Possuem chifres bifurcados, como os veados. A mais diversificada família de ruminantes é a dos bovídeos. Surgiu durante o mioceno, na Ásia, e espalhou-se pela Europa, África e América.

 

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