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Ártico


 Geografia Fisica

Região que no passado só despertava interesse científico ou no máximo comercial, o pólo norte hoje constitui área de grande importância política, por ser fronteira comum à Rússia, Estados Unidos, Canadá e países escandinavos. A situação daí decorrente alterou sua significação, particularmente em termos estratégicos e militares.
As denominações Ártico, Região Ártica ou Zona Polar Ártica são aplicadas de maneira genérica para designar o conjunto de terra e mares que se estende do círculo polar ártico, ao sul, até o pólo norte. Nesse conjunto encontram-se o oceano Glacial Ártico e suas ilhas, bem como as porções mais setentrionais da Europa, Ásia e América. Seu contorno é irregular, com trechos a diferentes distâncias do pólo. O oceano ocupa a maior porção da região ártica e sua superfície apresenta-se em grande parte coberta por uma extensa banquisa, cujos limites se ampliam durante os meses de inverno.
O oceano ramifica-se e dá origem a numerosos mares a partir do meridiano de Oo. Seguindo-se a direção de oeste para leste, recebem os nomes de mar da Noruega, mar de Barents, mar de Kara, mar de Laptev, mar da Sibéria Oriental, mar de Tchukotsk, mar de Beaufort, baía de Baffin e mar da Groenlândia.


Geologia e relevo. A maior parte das terras das regiões árticas apresenta um relevo de planícies e planaltos ondulados, que se desenvolveram a partir de escudos cristalinos denominados escudo Canadense, escudo Fino-escandinavo e escudo de Angara, localizados respectivamente no Canadá e Groenlândia, península escandinava e Sibéria. Esses escudos foram intensamente trabalhados pela erosão e seus sedimentos sofreram levantamentos caledonianos e hercinianos, originando várias cadeias de montanhas. Posteriormente, essas cadeias foram de novo trabalhadas pela erosão e daí surgiram os montes Urais -- que cortam a Rússia, prolongando-se pelo oceano Ártico e pelo arquipélago de Nova Zembla -- e as cadeias escandinavas.
No período terciário, ocorreu nova fase orogênica, de tipo alpino, a que correspondem, no Ártico, os montes Verkhoiansk, as cadeias do Alasca e as ilhas de Ellesmere, onde as altitudes ultrapassam três mil metros. Grandes elevações encontram-se também na Groenlândia, onde uma calota glacial recobre a quase totalidade do antigo planalto cristalino. Dessa calota originam-se, em sua maior parte, os grandes icebergs que flutuam na região e cujas camadas inferiores, em alguns casos, remontam a mais de cinqüenta mil anos de idade.


Clima. As condições climáticas são responsáveis pelo traço mais marcante da paisagem ártica, as capas de gelo, e pelas formas de ocupação humana ali encontradas. Exercem também acentuada influência no meio físico.
O clima ártico é do tipo polar, distinguindo-se por temperaturas extremamente baixas e reduzidos índices pluviométricos. Ocorrem duas modalidades bem distintas: uma, de temperatura sempre inferior a 0o C, mesmo no mês mais quente, e de gelo permanente, encontra-se na extensão central e ocidental da Groenlândia e, excepcionalmente, na ilha de Ellesmere. A outra modalidade ocorre em quase todo o território ártico: as temperaturas do mês mais quente podem elevar-se até 10o C. Mas, também nesse caso, existem regiões, como a dos montes Verkhoiansk, na Sibéria, em que a temperatura pode cair a -60o C no inverno. Aí, os efeitos da alta latitude somam-se aos da altitude elevada.


Vegetação e solos. Durante o inverno, extensas capas de gelo impedem o desenvolvimento de qualquer cobertura vegetal na região ártica. No verão, porém, o degelo permite que surja rapidamente uma vegetação característica, a tundra, com floração de cores vivas, e que apresenta três tipos, diretamente relacionadas com a temperatura. O primeiro é a tundra arbustiva, encontrada nas latitudes mais baixas, composta de vegetação rasteira e de árvores anãs, principalmente o salgueiro e o vidoeiro. Com a queda da temperatura, degrada-se rapidamente e dá origem a sua similar graminosa, composta de musgos, liquens e eventuais arbustos. Nas áreas de verão mais frio encontra-se apenas a tundra desértica, onde musgos e liquens, localizados nas áreas mais abrigadas, alternam-se com extensões de rocha sem qualquer vegetação.
Os solos da região polar ártica são chamados solos de tundra, uma vez que suportam apenas esse tipo de cobertura vegetal. De pequena espessura e poucos componentes orgânicos, permanecem cobertos de gelo no inverno.


Fauna. Na fauna terrestre os animais típicos são o urso polar e a rena da Eurásia, o caribu e o boi almiscarado da América do Norte. As raposas e os lobos são animais que migram para a região durante o verão. Nessa época a tundra é invadida por enxames de moscas e mosquitos que atormentam homens e animais. A fauna marinha é muito rica: salientam-se a foca, a baleia, o leão-marinho, o elefante-marinho e o narval. Há ainda grande variedade de peixes, sobressaindo o salmão e o bacalhau. Mesmo com o difícil acesso à região, seus recursos animais foram explorados predatoriamente pelo homem branco, e já houve extinção de algumas espécies.


População. A maior parte dos habitantes das terras árticas é composta de grupos étnicos de características mongólicas. Enquadram-se nesses grupos os esquimós, que se localizam no extremo norte da América do Norte, na Groenlândia e no noroeste da Sibéria, onde tiveram origem. Cabem na mesma classificação diversas tribos eurasianas, dentre as quais se destacam os samoiedos e os iacutos.
Ao grupo étnico branco pertencem os lapões, habitantes da Escandinávia e da Rússia. Praticam uma economia de subsistência, baseada na caça e pesca principalmente de foca, urso e baleia, mas também se ocupam da criação nômade do caribu e da rena, que no inverno migram para latitudes mais baixas. Atualmente, devido ao maior contato com os povos ocidentais, sua economia passou a voltar-se para o comércio. Já são encontrados pontos de atividade econômica sob influência ocidental permanente, em geral ligados à extração do ouro (Alasca), do carvão (Svalbard), do ferro (Escandinávia), do petróleo e de minerais radioativos (Sibéria). Há ainda centros de pesquisa científica. Após a tomada de várias medidas para proteção de espécies em extinção, a caça entrou em decadência.
Os transportes na região ártica ainda apresentam problemas. As rotas marítimas são as que ligam o Alasca aos Estados Unidos e estendem-se na direção leste para o ártico canadense. Há uma ligação marítima entre a Groenlândia e a Noruega, embora, nos trechos onde as geleiras dificultam a navegação, o transporte seja complementado por via aérea. Há também navegação marítima regular entre o norte da Noruega e Svalbard, exceto no inverno, bem como entre Murmansk e outros pontos da Rússia. O transporte aéreo é mais desenvolvido no Alasca, Canadá e Sibéria. Na Rússia, a ferrovia tem importância fundamental. No Canadá e Alasca o transporte rodoviário predomina.