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Arte


 Histologia

Em pelo menos uma característica, o espírito humano mais rudimentar se assemelha à requintada inteligência abstrata de civilizações altamente intelectualizadas: a disposição de criar formas que expressem a incansável busca da beleza, em condições históricas, sociais, técnicas e psicológicas variáveis no tempo e no espaço. A melhor expressão dessa busca necessária do belo tem sido, sem dúvida, a obra artística.
Entendida a palavra arte como manifestação expressiva fundamentalmente visual, na qual o homem cria e recria mundos naturais e fantásticos, tomando por base elementos materiais que ele trata com virtuosismo técnico, é necessário considerar a multiplicidade de valores que se conjugam na configuração da obra de arte. Em primeiro lugar situa-se o artista, capaz de transformar idéias, matéria e técnica numa obra agradável aos sentidos. Em segundo lugar está o fruidor hipotético, a quem, direta ou indiretamente, está endereçada a expressão artística e que, subjetivamente, pode louvar, ignorar ou execrar a criação do artista, de acordo com parâmetros estéticos, culturais, históricos, filosóficos e sociais infinitamente variáveis. O objeto artístico se encontra entre ambos -- emissor e receptor -- e nele convergem uma técnica, uma forma e um conteúdo.
O fenômeno artístico, no entanto, não se limita a uma relação subjetiva que se estabelece entre emissor e receptor, mediada por uma obra, síntese de sensibilidade e harmonia. Essa relação se encontra determinada por fatores exteriores ao artista, ao fruidor e à obra que constituiu o elo entre ambos. O estudo de uma obra de arte fornece dados muito precisos sobre a civilização que a produziu, já que ela foi, em algum momento, a expressão necessária de certas preocupações religiosas, de certos ideais políticos, de uma situação econômica e de um pensamento filosófico.
Pode-se compreender uma obra de arte isolada de seu contexto histórico e cultural, ou seja, atentando unicamente para seu valor formal e para a conquista estética que ela representa, mas o entendimento de elementos exteriores a ela enriquece a fruição da obra em si mesma. Para mostrar-se de maneira plena, a obra de arte deve ser entendida principalmente como forma de expressão de certa cultura e, assim, vinculada a outras atividades artísticas, filosóficas e científicas.
Da mesma forma que o artista e sua obra sofrem a ação de fatores externos no momento da criação, também o fruidor, como sujeito histórico e social, está submetido a influências diversas, que variam em função da evolução do gosto e da própria estética. Assim, a história da arte se edificou até o século XX não somente como uma evolução de formas e estilos, mas também de acordo com a aceitação ou a rejeição das formas e estilos pelas gerações seguintes.
O homem contemporâneo, desmedidamente preocupado com todas as manifestações culturais que tiveram lugar no presente e no passado, foi educado para a contemplação, o respeito e a veneração generalizada das artes de outros tempos, como valioso exemplo de seu próprio patrimônio cultural e sinal inequívoco de sua identidade.
Na atualidade, principalmente depois das rupturas e inovações protagonizadas pelas tendências vanguardistas do século XX, quase tudo pode ser visto como objeto de arte e, assim, o conceito de obra de arte modificou-se radicalmente. O mesmo objeto que anteriormente desempenhava uma função religiosa, política ou mágica, adquiriu caráter contemplativo ao ser afastado de seu contexto e posto num novo espaço artificial -- o museu -- em que a obra artística perde boa parte de sua identidade.
A própria missão do artista sofreu também uma interessante transformação: se antes ele se achava a serviço dos poderes políticos e religiosos, agora se submete ao poder econômico. O artista contemporâneo, independentemente de sua concepção estética particular e de suas intenções, cria para o mercado, para a galeria de arte e o museu. Sua obra existe em função da própria arte, de seu valor estético e contemplativo, mas especialmente em função de seu preço e seu valor como mercadoria.
Assim, a arte não pode ser vista como manifestação independente das outras atividades sociais, já que se relaciona intimamente com o domínio do saber e com a reflexão sobre a existência. Relaciona-se com a história, pois o transcorrer dos séculos determinou a aparição sucessiva dos estilos e das técnicas; com a filosofia, cujas reflexões influenciaram ou determinaram o conceito de beleza de cada época; e com a psicologia, que permite estudar em profundidade a personalidade do artista como indivíduo singular, por sua habilidade para imitar e recriar o mundo.

MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS E CULTURAIS
Classificação das artes
A historiografia tradicional determinou uma divisão clássica das artes em ramos como a arquitetura, a escultura e a pintura, conhecidas como belas-artes, e por outras como a música, a poesia e o teatro. Às três primeiras, que se definem de acordo com coordenadas espaciais, e às três seguintes, que se desenrolam no tempo, já que dependem de uma seqüência de instantes para sua contemplação, somou-se, na virada do século XIX para o século XX, uma nova forma de expressão artística, o cinema, apelidado por alguns de sétima arte.
Todas as artes têm fundamentos estéticos semelhantes ou mesmo idênticos, mas ao mesmo tempo apresentam características peculiares que distinguem umas das outras quanto aos meios de expressão, isto é, quanto à forma sob a qual materializam certas formulações estéticas. Assim, por exemplo, a escultura e a arquitetura recorrem à conjunção de volumes; a música e a poesia se fundamentam na emissão de sons harmônicos e o cinema e a pintura têm na imagem bidimensional o principal suporte material de seu discurso artístico.
No que se refere às artes plásticas, no entanto, seu campo de abrangência não pode ser reduzido às três artes maiores, divisões tradicionais estipuladas pela história da arte: arquitetura, pintura e escultura. No mundo atual, em que a heterogeneidade domina todas as atividades expressivas humanas e as inter-relações quebraram a sempiterna divisão do saber em compartimentos estanques, é inviável continuar a defender a superioridade das belas-artes em detrimento daquelas conhecidas tradicionalmente como artes menores, artes aplicadas ou artes populares.
Assim, as artes plásticas, desde a origem, se manifestaram com um sem-número de formas, capazes de atender a múltiplas requisições da vida cotidiana e de todos e cada um dos espaços habitáveis pelo homem, em sua dupla característica de ser individual e ser social.

FORMAS DE EXPRESSÃO ARTÍSTICA
Atualidade da arte
A arte, que em épocas pretéritas desempenhou funções determinadas pelo contexto sociopolítico e religioso das diferentes civilizações, perdeu em parte esse papel a partir do século XX, em benefício de uma nova concepção da atividade artística, marcada pelo caráter lúdico e contemplativo da nova sociedade contemporânea na qual, além de tudo, se chegou à ruptura de fronteiras culturais, com o estabelecimento de uma arte internacional que não admite regionalismo e cujas premissas adquirem traços de universalidade. No entanto, junto a essa progressiva homogeneidade universal das correntes estilísticas, a própria civilização contemporânea provocou uma heterogeneidade tal de escolas e estilos que tornou obsoletos os tradicionais modelos estabelecidos pela história da arte. Sinais dos novos tempos são a ruptura dos limites rígidos entre as diversas formas de manifestação artística e a possibilidade que conquistou o artista de manifestar-se por múltiplas formas de expressão, aproximando-se, de certo modo, do ideal de artista total preconizado pelos homens do Renascimento.
A imagem manteve, desde a pré-história, alto prestígio como meio de comunicação entre seres e sociedades, como arma política e mercadoria, como objeto de veneração e culto, como instrumento de expressão de beleza e harmonia, como símbolo de poder e domínio, ou como simples instrumento de diversão e entretenimento. A partir do século XX, no entanto, a importância da imagem cresceu a tal ponto que passou a ser um dos bens mais desejados pelos poderosos e o instrumento por excelência do comércio.
Numa civilização eminentemente visual como a contemporânea (publicidade, televisão, vídeo, cinema, fotografia) a arte transformou-se na manifestação cultural mais destacada, capaz de atrair milhares de pessoas a museus, de mobilizar cifras astronômicas em leilões de arte, de ocupar grande número de profissionais (artistas, marchands, críticos, restauradores) e de invadir os lugares mais recônditos do mundo civilizado, apoiada pelos próprios meios de comunicação.

A ARTE E A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Historiografia artística
A história da arte como disciplina organizada remonta ao século XIX, mas o interesse pelas atividades artísticas e a redação de tratados e diários pelos próprios artistas, para deixar testemunho de suas pesquisas e concepções estéticas, foi freqüente desde a antiguidade, principalmente a partir do momento em que as artes plásticas acrescentaram a sua função religiosa e mágica um papel estético.
A historiografia artística se compõe das fontes escritas relativas a qualquer manifestação plástica que tenham como temas a história, a estética e a técnica. Assim, os textos mais antigos de literatura artística remontam ao classicismo grego e chegaram até a atualidade bastante fragmentados, mas contêm abundantes comentários e fatos, não despojados de traços míticos e lendários sobre os artistas da antiguidade.
As reflexões greco-romanas sobre a teoria da arte não foram esquecidas durante a Idade Média, quando as artes, pelo menos no Ocidente, se subordinaram à orientação cristã, e ressurgiram com toda a força no Renascimento, quando foram revalorizados os princípios estéticos da antiguidade clássica, graças à dedicação de artistas como Leon Battista Alberti, Lorenzo Ghiberti e Giorgio Vasari. Mais tarde, a literatura artística alcançou novo auge no século XVIII, em virtude do retorno estilístico às formas clássicas, depois dos excessos do barroco. Essa retomada deveu-se em grande parte a Johann Winckelmann e representou o início da historiografia artística moderna.
O estudo das artes plásticas, que se intensificou progressivamente desde o século XIX até os dias atuais, tomou novo impulso com o romantismo, que redescobriu e recuperou obras do passado, e com o triunfo do pensamento positivista, que deu à pesquisa artística uma base de cientificismo e rigor que permanece até a atualidade. Ao longo do século XX, a história da arte ganhou credibilidade, em parte devido ao rigor com que se fizeram os estudos nessa área, em parte pelo apoio oferecido pelas instituições oficiais, com a inclusão da disciplina nas universidades e também pela importância que ganhou, nas sociedades contemporâneas, toda imagem ou objeto visual. Assim, a história da arte ganhou elementos renovadores, como a atuação da crítica, a oposição entre arte conservadora e tendências de vanguarda, e a inclusão da obra de arte no mercado, por meio de feiras de arte, leilões etc.

ESTUDIOSOS DA HISTÓRIA DA ARTE
Resumo histórico
A história da arte tradicional centrou-se na evolução das formas artísticas do Ocidente e prestou pouca atenção, salvo muito recentemente, às culturas artísticas dos povos primitivos, dos asiáticos e dos africanos.
Os historiadores tradicionais insistem na chamada evolução biológica dos estilos. Assim, comparam a evolução artística à dos seres vivos e distinguem fases evolutivas comuns: pré-classicismo ou busca da nova linguagem; classicismo ou consolidação do estilo; maneirismo ou repetição das conquistas; barroco ou recriação artificial; e arcaísmo, ou permanência em formas pretéritas.
A sucessão dos estilos ao longo dos tempos, ligada  a condicionantes históricos, geográficos, políticos e sociais, que favoreceram ou obstaculizaram a prática artística, foi a chave adotada pela maior parte dos historiadores da arte. A história da arte se escreveu, portanto, mediante a divisão do tempo em períodos históricos, pautados por artistas representativos das diversas tendências, cujas obras se encontram expostas em museus e galerias de todo o mundo civilizado.
A evolução cronológica da arte, desde o início dos tempos, teve lugar na pré-história, quando magia e arte estavam intimamente ligadas, para logo ceder espaço à expressão artística da antiguidade no Egito, na Mesopotâmia, na Índia, na China e no continente americano.
Quando o mar Mediterrâneo tornou-se centro do mundo civilizado, graças às civilizações grega e romana, a arte também se transportou fisicamente para esse lugar. Durante os séculos em que a Europa desempenhou o principal papel econômico e político entre as regiões do mundo, a arte foi vista como fenômeno eminentemente ocidental. Sucederam-se os estilos românico, gótico, renascentista e barroco. No entanto, em outras latitudes, culturas como as dos povos muçulmanos, pré-colombianos e orientais também continuavam sua própria evolução.
Foi somente no século XX, com a ruptura das fronteiras culturais devida principalmente aos meios de comunicação, que a arte, como outros meios de expressão do espírito, abandonou os limites geográficos para adquirir traços verdadeiramente universais, relacionando todos os tipos de técnicas, estilos e inovações provenientes dos quatro cantos do globo.
Arte pré-histórica
A origem das artes plásticas se situa no período pré-histórico conhecido como paleolítico, quando o homem começou a esculpir pequenas figuras femininas e a pintar imagens de animais nas paredes das grutas onde se refugiava, atitudes certamente dotadas de sentido ritual e mágico.
O homem pré-histórico não tinha noção do que fosse uma obra de arte como se entende na modernidade. Para ele, isso que hoje se considera como arte tinha apenas a finalidade de prestar culto à fertilidade, no caso das figuras femininas, ou propiciar uma boa caçada, no caso das pinturas rupestres. Em ambos os casos, a obra de arte aparece vinculada a questões existenciais, como por exemplo garantir a sobrevivência e a continuidade da espécie.
Períodos posteriores ao paleolítico, como o neolítico e a idade dos metais, também foram ricos em manifestações artísticas que, se não apresentavam características similares às do paleolítico, estavam imbuídas das mesmas preocupações religiosas e mágicas. A arte desempenhava então importante papel nos ritos funerários dos povos megalíticos, que empregaram em seus monumentos pedras de proporções gigantescas, e também dos primeiros povos do mundo que souberam usar os metais como cobre, ferro e bronze, preludiando os tempos históricos.

ARTE PRÉ-HISTÓRICA
Arte das antigas civilizações
As civilizações que se desenvolveram nos vales dos rios Nilo, Tigre e Eufrates foram as primeiras a apresentar uma concepção global das formas artísticas a serviço dos poderes político e religioso. A arquitetura foi entre esses povos a arte mais desenvolvida, mas eles não abandonaram a escultura, a pintura e, muito especialmente, por sua utilidade na vida diária e nos ritos, as artes ditas menores ou decorativas.
A arte do antigo Egito, como toda essa cultura, era dominada pela religião, que outorgava ao faraó a condição de divindade e atribuía extraordinária importância à vida após a morte. Isso explica a grandeza de sua arquitetura funerária -- pirâmides -- e religiosa -- templos --, bem como grande número de esculturas e pinturas murais que reproduziam os  faraós e cenas da vida cotidiana.
Na região mesopotâmica, no entanto, onde não havia unidade política, geográfica ou étnica, a sucessão das civilizações foi deixando um valioso patrimônio artístico descoberto muito mais tarde pelos arqueólogos. Templos piramidais dotados de torres escalonadas, chamados zigurates, conjuntos urbanísticos, abóbadas, estatuetas e relevos narrativos e históricos foram as principais
obras da arte suméria, acádia e assíria.
Pouco a pouco, os focos de civilização se transferiram para o Ocidente através de duas vias: os territórios da Europa central e o mar Mediterrâneo. Surgiram assim as culturas celta e fenícia. Com o mar Mediterrâneo transformado em eixo geográfico da história da civilização, multiplicaram-se as culturas ao longo de suas costas e em muitas de suas ilhas. Dos etruscos e da cultura creto-micênica nasceram as formas artísticas que serviram de fundamento à arte clássica que floresceu no Ocidente durante o primeiro milênio anterior à era cristã.

ARTE NA ANTIGUIDADE
Em outra área geográfica muito distante do Mediterrâneo, como é o caso do continente americano, também floresceram na antiguidade poderosas e singulares culturas, algumas das quais se encontravam em pleno apogeu quando foram dominadas e dizimadas pelos europeus logo após os descobrimentos. Povos eminentemente agrários, dotados de uma estrutura social perfeitamente organizada e com arraigadas crenças religiosas, elaboraram objetos de arte como pirâmides escalonadas, amplos conjuntos urbanísticos, palácios, cerâmicas, relevos e esculturas.

ARTE PRÉ-COLOMBIANA
Arte clássica 
No primeiro milênio anterior à era cristã, o centro da civilização transferiu-se para o Mediterrâneo, onde floresceram duas das culturas mais influentes sobre o destino posterior do Ocidente: a grega e a romana.
A arte grega, cujo período áureo se situa no século V da era cristã, lançou as bases estéticas e formais da arte européia posterior. Mesmo na atualidade, tem plena vigência a maior parte das premissas estéticas e filosóficas observadas pelos artistas e pensadores gregos, entre as quais o culto à beleza, a harmonia e as proporções. Além disso, pela primeira vez na história da arte, o homem se tornava centro e medida de todas as coisas, em contraposição aos outros povos da antiguidade entre os quais a religião ocupava o lugar central.
O mundo romano, muito menos idealista que o grego, do qual é herdeiro direto em muitos aspectos, realizou uma arte mais pragmática e funcional, de certa forma eclética, ao adotar formas, elementos e técnicas de todos os territórios que integravam seu império. Não obstante, a expansão dos romanos pela Europa, leste e norte da África, contribuiu para a difusão das formas artísticas clássicas, que logo assimilaram as características plásticas dos territórios ocupados, do que resultou um sincretismo artístico, paralelo ao sincretismo cultural que caracterizou os últimos tempos da civilização romana.

CLASSICISMO GRECO-ROMANO
Arte medieval
Depois da queda do Império Romano, o Ocidente entrou num longo período denominado Idade Média, em que conviveram os antigos habitantes dos domínios romanos com os invasores germânicos. Estes, vindos em ondas sucessivas do leste europeu, fixaram-se no Ocidente e assimilaram aos poucos muitos dos traços culturais da civilização greco-romana.
Com essa realidade européia conviveram outras duas culturas: a bizantina, consolidada no leste da Europa depois da dissolução do Império Romano, e a islâmica, surgida na península arábica, que em poucos anos dominou parte da Ásia, norte da África e chegou mesmo a enfrentar os reinos cristãos da Europa em seu projeto expansionista.
A fragmentação geográfica e política da Europa à época das invasões contribuiu também para a heterogeneidade da arte dos povos germânicos. Cada reino, de acordo com a base cultural romana que restou no local onde se assentou, e de acordo com seu próprio acervo cultural, a que se reuniu a influência progressiva da ainda jovem religião cristã, criou formas expressivas singulares.
Os parcos recursos de cada um desses reinos e a mobilidade motivada pelas guerras levaram seus povos a criar formas artísticas que nada tinham de monumentais, profusamente ornamentadas, com predomínio das artes decorativas. A ourivesaria e a miniatura foram seus meios de expressão prediletos, além de alguns achados em arquitetura e escultura, que, sem abandonar totalmente a herança greco-romana, lançaram as bases dos  dois grandes estilos medievais: o românico e o gótico.
Enquanto no Ocidente as invasões germânicas representaram uma ruptura na evolução histórica e a inevitável fusão de duas culturas diametralmente opostas, a romana e a germânica, no Império Romano do Oriente, que sobreviveu às invasões, persistiram as formas artísticas clássicas, helenísticas e provenientes do antigo cristianismo. Ali criou-se um novo estilo, a arte bizantina, que se caracterizou pelo luxo, intenso colorido, gosto pelos ricos materiais decorativos e emprego de cúpulas para cobrir os edifícios de planta central.
Importante pela alta qualidade de suas construções religiosas e pela riqueza de seus mosaicos e ourivesaria, a arte bizantina caracterizou-se também pela preocupação de conservar o padrão estético da antiguidade e contribuir para sua difusão.
A primeira tentativa de unidade política e espiritual, e conseqüentemente de homogeneidade artística, veio com a restauração do antigo Império
Romano, acontecida à época de Carlos Magno, mas o primeiro estilo artístico comum à maior parte das regiões que formavam a Europa, que contribuiu para a unidade cultural e política do Ocidente, foi o românico. A cultura ocidental floresceu no século XI favorecida pela unidade espiritual, devida à expansão e consolidação do cristianismo, impulsionado principalmente pelas ordens religiosas.
O equivalente artístico do florescimento da Europa medieval foi, pois, o estilo românico. Para sua consolidação foram determinantes as peregrinações, em especial à Terra Santa e a Santiago de Compostela, a influência do mosteiro beneditino de Cluny e o papel dos grupos nômades de artífices de cantaria, que divulgavam o estilo por onde quer que passassem na realização de seu ofício.
O estilo românico, termo usado pelos historiadores do século XIX que acreditavam tratar-se de uma derivação da arte romana clássica, não surgiu repentinamente: foi a culminação de um processo estilístico iniciado com as formas pré-românicas, que chegou a adquirir traços de universalidade quando compartilhado pela cristandade ocidental.
Uma arquitetura de sólidos muros de pedra com coberturas abobadadas e arcos de meio ponto se pôs em prática nos edifícios religiosos mais importantes da arte românica: as catedrais e os mosteiros. A maior parte dessas construções foi enriquecida, interna e externamente, com esculturas e pinturas que, além de valorizarem esteticamente a arquitetura, desempenhavam papel didático quanto à divulgação dos dogmas cristãos. Por essa razão, essas manifestações da arte figurativa submeteram valores estéticos como a beleza e a proporcionalidade ao objetivo da clareza expressiva que aproximasse fiéis e doutrina.
A evolução econômica e política da Europa, estimulada especialmente pelo progresso das cidades a partir da segunda metade do século XII, acarretou novo esplendor artístico, compatível com circunstâncias tais como a nova mentalidade urbana, o esplendor do comércio, a consolidação do poder civil e a progressiva secularização da sociedade, que conseguiu libertar-se em parte da tutela cultural exercida pela igreja.
A Europa dos mosteiros cedeu então lugar à Europa das grandes catedrais góticas, monumentos devidos à contribuição pecuniária das coletividades urbanas, às novas técnicas arquitetônicas, que permitiram, por exemplo, a construção do arco ogival, e à excelência conquistada pelos artistas medievais.
Graças ao emprego sistemático de inovações arquitetônicas como o arco de ponta e a abóbada de cruzeiro, os templos ganharam leveza. As paredes deixaram para trás a pesada solidez românica e passaram a exibir grande quantidade de vãos, capazes de abrigar vitrais estilizados, que conferiram aos interiores uma impactante luminosidade.
O emprego de vitrais, no entanto, reduziu consideravelmente o espaço destinado à pintura mural. Assim, pouco a pouco impôs-se na arte medieval a pintura sobre madeira, especialmente em forma de retábulos. A técnica de uso mais generalizado era a têmpera. Mais tarde, com a popularização do óleo promovida sobretudo pelos artistas flamengos, a pintura gótica adquiriu um brilho, um colorido e uma minúcia inusitados.
A arte medieval, que na cristandade evoluiu ao longo das fases pré-românica, bizantina, românica e gótica, na cultura árabe foi marcada também pelo peso da religiosidade. A rápida expansão do Islã e a falta de um passado artístico obrigou o povo muçulmano a assimilar as formas artísticas dos povos dominados, o que impediu a formação de uma arte islâmica homogênea e favoreceu a proliferação de escolas diversas, com evolução e traços peculiares a cada uma delas. A arte islâmica criou um modelo arquitetônico autêntico -- a mesquita -- e destacou-se pela exuberância ornamental, rica em elementos decorativos, conseqüência da interdição islâmica de representar figuras.

ARTE MEDIEVAL
Renascimento
As últimas transformações que se operaram na Europa medieval desembocaram no Renascimento, época em que a cultura ganhou extraordinário brilho. Deu-se um redescobrimento das fontes clássicas e se revalorizou a figura humana contra a visão teocêntrica do mundo, própria do cristianismo medieval.
Embora a maior parte dos historiadores tenha estabelecido uma oposição entre a Idade Média e o Renascimento, pelas diferentes concepções de mundo implícitas em suas obras artísticas e pelos diferentes papéis desempenhados pela religião e pelo homem em cada um desses períodos históricos, na atualidade se tende a compreender ambos os períodos como partes de um processo evolutivo que afetou não somente as questões culturais, mas também a economia, a política e a sociedade.
No que se refere às artes, o Renascimento voltou-se para o passado, especialmente para a arte clássica, cujos vestígios eram ainda perceptíveis na península itálica, berço da revolução renascentista. Aos poucos, as propostas góticas foram substituídas por outras, consoantes com a antiguidade greco-romana, baseadas em princípios fundamentados na proporção, no equilíbrio e na harmonia.
A origem dessa nova concepção estética foi a Itália, onde, junto aos remanescentes clássicos e ao escasso desenvolvimento da arte medieval, verificou-se grande progresso econômico nas cidades, especialmente nas do norte. O auge da vida urbana tem raízes nas atividades comerciais -- já incipientes na baixa Idade Média --, que abriram caminho à existência de uma classe burguesa enriquecida e com preocupações intelectuais, que não teve dúvida em apoiar os novos artistas.
A história da arte dividiu o Renascimento em dois períodos conhecidos pelos nomes de Quattrocento e Cinquecento, correspondentes respectivamente aos séculos XV e XVI, precedidos da fase pré-renascentista, o Trecento, em que as propostas góticas medievais deram lugar à tímida implantação de uma nova mentalidade artística, cada vez mais próxima da natureza e preocupada em plasmar na pintura o espaço e os volumes.
O Quattrocento, esplendoroso principalmente na cidade de Florença, assistiu aos primeiros ensaios da linguagem artística consoante com a nova mentalidade humanística do homem moderno.
Na arquitetura, renasceram os elementos construtivos próprios da antiguidade greco-romana, como a coluna, as ordens clássicas, a abóbada de berço e, principalmente, a cúpula, tomadas da observação direta das ruínas arquitetônicas romanas e de um manuscrito do arquiteto clássico Vitrúvio, que, recém-descoberto então, serviu de modelo aos arquitetos do Renascimento.
A escultura adotou também uma atitude de recuperação das formas e temas clássicos, mas nos primeiros tempos permaneceram ainda traços característicos da arte medieval, como as figuras alongadas e certos elementos decorativos.
A tradição pictórica iniciada por Giotto no século XIII teve continuidade com os pintores italianos do século XV, que romperam com as convenções medievais e se dedicaram a estudar a luz, o espaço, os volumes e a perspectiva, tendo o homem como centro da pesquisa artística. Embora se considere o Renascimento como uma era de rompimento com os valores religiosos, a temática continuou sendo fundamentalmente cristã, enquanto, pouco a pouco, apareciam os temas mitológicos e profanos, mais de acordo com o novo espírito antropocêntrico.

O QUATTROCENTO ITALIANO
O Cinquecento, com artistas do porte de Leonardo da Vinci, Michelangelo e Rafael, assistiu à culminância dos ensaios formais e estilísticos iniciados no século anterior. Roma, engrandecida pelos papas, substituiu Florença como primeiro centro artístico e passou a irradiar para o resto da Itália os princípios estéticos do classicismo. Esses princípios podem resumir-se no triunfo da linguagem greco-romana, no gosto progressivo pela monumentalidade e a formalização de um mundo estético ordenado e equilibrado.
No entanto, o exagerado otimismo nascido da confiança de ter construído um mundo perfeito logo se dissipou e a crise econômica, política e religiosa que se abateu sobre a Europa no século XVI afetou o domínio da arte, que se voltou para si mesma recriando e distorcendo tudo o que até então havia sido conquistado, dando origem a um novo estilo, o maneirismo, situado entre o classicismo renascentista e o novo estilo, o barroco, que acabaria se impondo em toda a Europa no século XVII. 


O CINQUECENTO ITALIANO
As novidades artísticas do Renascimento não demoraram em estender-se a toda a Europa, desde o final do século XV, graças aos artistas italianos que trabalhavam para a nobreza européia e, sobretudo, ao papel divulgador da imprensa e da gravura, que facilitaram a circulação de tratados artísticos e estampas com reproduções das obras mais importantes do período.
As circunstâncias que propiciaram a volta aos valores clássicos não foram as mesmas na Itália e no resto da Europa, onde a influência greco-romana havia sido menos determinante e onde os valores medievais estavam culturalmente mais arraigados. Assim, numa primeira instância, foram adotados apenas elementos decorativos aplicados a estruturas góticas. Os critérios renascentistas se impuseram mais tarde, combinados, em cada país, a sua própria herança cultural.
Nos estados nacionais -- França, Alemanha, Países Baixos, Espanha -- apareceram artistas tão grandes quanto os mestres renascentistas italianos. 

RENASCIMENTO EUROPEU
Do barroco ao rococó
O estilo barroco, cuja origem remonta ao século XVI, se afirmou e desenvolveu nos cem anos seguintes, primeiro na Itália, especialmente em Roma, e depois no resto da Europa e mesmo na América. A origem do termo "barroco" é duvidosa, mas sabe-se que corresponde a uma atitude depreciativa dos críticos e historiadores posteriores. Somente no século XX chegou-se a avaliar a importância que o barroco teve para a história da arte ocidental.
Na opinião de alguns historiadores, a arte barroca foi a conseqüência necessária da evolução do maneirismo, leitura provavelmente um tanto parcial, que deve ser complementada com determinantes históricos. A arte barroca coincidiu com a consolidação das nacionalidades européias, com o triunfo do espírito da Contra-Reforma materializado nas conclusões do Concílio de Trento, com a exaltação do absolutismo e com a implantação progressiva do modo de produção capitalista.
O barroco dotou a arquitetura de personalidade especial. Os edifícios passaram a ser projetados em função do espaço que os continha, com fachadas dinâmicas e profusão de elementos decorativos subordinados ao conjunto arquitetônico. Os interiores, com freqüência independentes da fachada, também se caracterizavam pelo movimento, sobrecarga decorativa e efeitos de claro-escuro em que a luz desempenhava papel especial, sobretudo no interior dos templos, com o que se pretendia fortalecer o espírito de recolhimento.
A escultura barroca italiana, com influências formais da escultura de Michelangelo, subordinou-se à arquitetura. O movimento, as composições complexas e a expressão foram suas principais características, a serviço de uma temática preferentemente religiosa, que privilegiou cenas de êxtase místico e martírio de santos. O crescimento das cidades e as reformas urbanas favoreceram a escultura destinada a embelezar ruas e praças.
A renovação da pintura, obrigatória depois da exaustão das formas maneiristas e da difusão das idéias da Contra-Reforma, articulou-se em torno de duas escolas: a naturalista, representada por Caravaggio, e a classicista, comandada pelos Carracci. Da mesma forma que a arquitetura, valorizou a luz, procurando com isso reproduzir mais fielmente a realidade e destacar os objetos e figuras mais interessantes da composição, com o que se distinguiam diferentes planos de profundidade e se revalorizava o conjunto como unidade integrada de elementos interdependentes e necessários.

BARROCO ITALIANO
Como ocorrera anteriormente com a difusão da arte renascentista pela Europa, o barroco também se expandiu para além das fronteiras italianas, adquirindo características próprias em cada cultura que o assimilava. A Europa encontrava-se então dividida entre católicos e protestantes, crenças que marcariam profundamente os diferentes caminhos seguidos pela estética barroca em sua materialização.
O esplendor político conquistado pela França no século XVII favoreceu a importação do gosto barroco, que se pôs a serviço da magnificência monárquica, embora sem chegar aos excessos decorativos e à complexidade do barroco italiano. O fausto da corte francesa materializou-se no palácio de Versalhes, símbolo da monarquia absolutista encarnada em Luís XIV, chamado o Rei Sol.
O norte da Europa, cenário de freqüentes conflitos entre católicos e protestantes, encontrou na pintura sua forma de expressão artística mais transcendente durante o período barroco. Assim, na Holanda, dominada por uma burguesia comercial e empreendedora, predominaram a pintura de gênero, a natureza-morta e o retrato, temas todos eles profanos e tecnicamente próximos ao naturalismo de Caravaggio. Em Flandres, pelo contrário, a dominação espanhola dera origem a uma classe política aristocrática e católica que favoreceu a pintura grandiosa e solene, protagonizada por santos e alegorias religiosas. Ao mesmo tempo se difundia a pintura de temas mitológicos, com sugestão de sensualidade, cujo melhor exemplo é a obra de Rubens, artista inspirado na escola veneziana.

BARROCO FRANCÊS, HOLANDÊS E FLAMENGO
A arte barroca espanhola assumiu também características particulares e sua influência atravessou o Atlântico para implantar-se nos domínios da casa de Áustria na América hispânica. O afiançamento dos ideais da Contra-Reforma, a austeridade imposta pela casa de Áustria e o peso do poder religioso sobre a sociedade espanhola determinaram a expansão artística dos modelos sóbrios e geométricos inspirados no renascentista Juan de Herrera.
As dificuldades econômicas do vasto império, já em declínio no século XVII, determinaram em boa medida a pobreza da arquitetura barroca espanhola, que teve de recorrer a elementos decorativos em gesso e madeira para enriquecer interiores e telhados de seus templos e palácios. Esses elementos decorativos acabaram por sobrepujar a própria arquitetura. Nasceu assim um estilo genuinamente hispânico, caracterizado pela exuberante sobrecarga decorativa.
A influência da religião na vida espanhola do século XVII ficou registrada nos retábulos e imagens religiosas, vinculados ao espírito contra-reformador que procurava estimular a piedade nos fiéis mediante um estilo direto e realista, aproximando as figuras religiosas da vida cotidiana. A penúria econômica, no entanto, impediu que se usassem materiais nobres como o mármore e o bronze. Os escultores espanhóis recorreram então à madeira policromática.
A arte barroca espanhola ganhou luz própria na pintura. Chamado Século de Ouro pelos historiadores da arte, o século XVII espanhol foi pródigo em grandes mestres como Ribera, Velázquez, Zurbarán e Murillo.

BARROCO ESPANHOL
Durante as primeiras décadas do século XVIII, ainda se verificavam formas e temas de estilo barroco, mas começou a delinear-se uma estética refinada e delicada, muito a gosto da nobreza ociosa e da nova burguesia enriquecida, que encontrou na pintura rococó e na pintura galante sua mais fiel expressão artística. Não foi mais a Itália, e sim a França, a ditar os parâmetros desse período, já convertida em principal potência política e econômica da Europa.
Em relação à arquitetura, pode-se dizer que a grandiosidade barroca foi substituída por um estilo mais elegante e frívolo, em que os motivos decorativos ou rocailles ocuparam todo o espaço e encontraram nos gabinetes e saletas aristocráticas seu ambiente mais propício.
As artes decorativas foram de inestimável valor para a realização de ambientes cômodos e luxuosos. Multiplicaram-se os espelhos, as porcelanas, as tapeçarias e as sedas. A mobília adquiriu formas curvilíneas e leves. Os motivos orientais e exóticos passaram a ditar a moda.
O mesmo gosto galante e delicado tomou de assalto a pintura francesa, centrada na produção de quadros de formato menor, destinados a uma clientela burguesa e aristocrática. Os grandes eventos da vida cortesã e as representações de temas mitológicos, perpassadas de sensualidade, foram os temas prediletos dos pintores franceses do século XVIII.
A Itália, nesse tempo, reagia contra os excessos barrocos. Os artistas refugiaram-se nos afrescos com que decoravam os palácios da realeza e os palacetes dos nobres, e também em paisagens urbanas -- vedutte -- destinadas a serem vendidas aos viajantes. A Grã-Bretanha, onde até o século XVIII a pintura fora praticada por estrangeiros, assistiu ao início da escola britânica de pintura, que no século XIX chegaria ao auge, dedicada a temas como a paisagem e o retrato.
O século XVIII espanhol, com a chegada ao poder de uma dinastia francesa -- os Bourbons -- assistiu à ascensão de muitos artistas estrangeiros, especialmente franceses e italianos, que trabalhavam nos palácios erguidos pela nova família real. Foram importados elementos da arte rococó, o gosto pelas artes decorativas e um estilo de pintura inclinado para temas como retratos oficiais, cenas de costumes e afrescos. Criou-se, como sucedera em outros países da Europa, a Academia de Belas-Artes de San Fernando, principal sede do estilo acadêmico que imperou na Espanha até bem avançado o século XIX.

ARTE DO SÉCULO XVIII NA ESPANHA
O primeiro pintor de relevo a trabalhar no Brasil foi o holandês Frans Post, autor de paisagens em que tentou retratar a terra e seus habitantes. No final do século XVII, trabalhava no Rio de Janeiro o frade alemão Ricardo do Pilar. No século XVIII, a pintura brasileira distribuía-se em três escolas, ou grupos de artistas: a nortista, que incluía artistas de Pernambuco e da Bahia; a mineira e a fluminense. Na escultura, ninguém foi maior que o Aleijadinho, considerado o último grande escultor barroco. Com a missão artística francesa, as artes plásticas brasileiras viveram uma fase neoclássica da qual alguns dos maiores nomes foram Debret, na pintura, e Rodolfo Bernardelli, na escultura.

ARTE BRASILEIRA DO SÉCULO XVII AO SÉCULO XIX
Século XIX
As mudanças que vinham ocorrendo durante o século XVIII se cristalizaram, no final do século, com um dos acontecimentos mais importantes da história contemporânea: a revolução francesa, que pôs fim ao antigo regime. Os ideais dos revolucionários franceses se disseminaram por toda a Europa, em conseqüência da intervenção de Napoleão, e marcaram indelevelmente o caminho político e intelectual do século XIX.
Nos primeiros cinqüenta anos, que assistiram a uma escalada nos conflitos bélicos e a focos revolucionários pela independência, distinguem-se nas artes plásticas dois estilos bem distintos: o neoclassicismo e o romantismo. O primeiro, enraizado no século XVIII, propunha a volta aos ideais clássicos da antiguidade, por influência direta da difusão das idéias iluministas e enciclopedistas. Os descobrimentos efetuados em Pompéia e Herculano avivaram ainda mais o interesse dos artistas e colecionadores pela arte antiga. Isso desembocou numa nova concepção estética, defendida principalmente por Johann Winckelmann e Anton Mengs, que exaltava os princípios clássicos e estimulava os artistas a imitarem os postulados gregos de perfeição, beleza e harmonia.
Junto ao neoclassicismo nasceu outra corrente estética, em certo sentido oposta a ele, pois opunha à ordem e à razão da mentalidade neoclássica o culto à liberdade e ao sentimento. O romantismo, herdeiro dos ideais revolucionários franceses, encontrou nos movimentos nacionalistas sua contrapartida política. Desde o princípio evidenciou seu amor à natureza e o respeito pelo passado medieval, sentimentos que se enquadraram perfeitamente na visão idílica que os românticos tinham do mundo.
O gosto romântico pelas ruínas, pelos cenários solenes e lúgubres e pelos ambientes exóticos e orientalizantes conduziu os artistas do período à prática de dois gêneros principais: a paisagem e a pintura de costumes. A exaltação do espírito rebelde e revolucionário, da paixão desenfreada, da aventura, da irracionalidade e do sentimentalismo levou-os também a preferir temas como os tormentos, o suicídio, os sonhos e a loucura.
A liberdade temática dos românticos fez-se acompanhar de grande liberdade técnica, favorecida pelo surgimento de novas formas expressivas, entre as quais a litografia.
As primeiras manifestações da arte neoclássica e romântica tiveram lugar na França, mas se difundiram pelo resto da Europa graças à imprensa, ao nomadismo dos artistas e, principalmente, ao impacto dos ideais revolucionários e napoleônicos.

NEOCLASSICISMO E ROMANTISMO
A segunda metade do século assistiu, na Europa, à sucessão e convivência de várias propostas artísticas para as quais confluíram determinantes históricos, filosóficos, econômicos e sociais. A Europa, depois de 1848, após o triunfo de várias revoluções burguesas e a expansão do movimento operário, era radicalmente diferente da Europa dos primeiros anos do século.
A ideologia positivista, o marxismo e o progresso tecnológico determinaram uma mudança de rumo também para a arte, que abandonou progressivamente os ideais românticos em favor de uma arte mais participante e social, realista, que pretendia ser o reflexo do mundo em que se vivia então.
As paisagens e as cenas cotidianas, cujos personagens eram operários e camponeses, tomaram conta da temática pictórica, que também sofria o impacto de uma nova arte que surgia, capaz de registrar instantaneamente o mundo circundante: a fotografia.
Ao realismo próprio da segunda metade do século sucederam outras pesquisas estéticas, às vezes restritas a pequenos grupos, outras de impacto internacional, mas todas imersas no ecletismo estilístico da época e na vertiginosa sucessão de modas e gostos. Algumas dessas tendências, entre as quais o modernismo, sobreviveriam até as primeiras décadas do século XX, quando apareceram as vanguardas históricas, e serviriam de fundamento a importantes escolas da arte moderna.

TENDÊNCIAS ARTÍSTICAS DO SÉCULO XIX
A tardia incorporação dos Estados Unidos à história das civilizações implicou uma tardia participação na evolução dos estilos artísticos. Após os primeiros passos dados no final do século XVII, e os primeiros êxitos no século seguinte, a escola americana de pintura ganhou impulso no século XIX, em parte como resultado da criação das academias de Boston, Nova York e outras, e em parte pelo apoio de alguns mecenas que patrocinaram a formação de artistas americanos na Europa.
O retrato e a paisagem nacional tornaram-se os temas preferidos dos pintores românticos, que procuravam exaltar os valores patrióticos americanos. Depois da guerra de secessão, quando os Estados Unidos tomaram posse efetiva dos territórios do oeste, a temática paisagística ganhou predomínio, com vistas dos ilimitados espaços virgens americanos. A pintura de gênero também ganhou prestígio na segunda metade do século, por influência das publicações ilustradas, que apresentavam cenas do cotidiano.
Contrários ao americanismo de alguns artistas, interessados em retratar pessoas, paisagens e temas próprios de sua nação, outros artistas, influenciados pelas correntes vindas da Europa principalmente por intermédio das exposições, integraram-se às correntes estéticas européias e assimilaram estilos das mais variadas épocas, com especial predileção pelos afrescos renascentistas e pela pintura da escola veneziana.

ARTE AMERICANA DOS SÉCULOS XIX E XX
Como já foi dito, as idéias estéticas da segunda metade do século XIX foram irradiadas da França para o resto do mundo. Uma dessas correntes se manteve atuante nos primeiros anos do século XX e sua influência foi decisiva no surgimento dos movimentos de vanguarda anteriores à primeira guerra mundial: o impressionismo.
As descobertas da pintura realista, aliadas às pesquisas que procuravam captar com a maior verossimilhança possível o mundo circundante, conduziram alguns pintores à técnica impressionista, baseada em efeitos ópticos, que pretendia captar a natureza fugaz e mutável. É preciso lembrar que a formulação da estética impressionista coincidiu com o aparecimento da fotografia e com a invenção do cinema, técnicas que permitiam a perfeita reprodução da realidade.
As limitações técnicas e temáticas do impressionismo foram determinantes para que alguns artistas abandonassem o movimento e, sozinhos, procurassem seu caminho plástico. Estes foram enquadrados numa corrente chamada pós-impressionismo pelos historiadores da arte.
Essa tendência, que não se constituiu em grupo organizado, inclui artistas que, iniciados no impressionismo, descortinaram para a pintura horizontes incomparáveis, como foi o caso de Paul Cézanne, Paul Gauguin, Vincent van Gogh e Henri de Toulouse-Lautrec.
Na transição do século XIX para o século XX, Paris era, sem sombra de dúvida, o centro do mundo artístico. Ali, impressionistas e pós-impressionistas conviveram com outros artistas, de gerações posteriores, que formavam a chamada escola de Paris, alguns deles protagonistas de rupturas vanguardistas do princípio do século XX.
Os verbetes que se referem ao impressionismo, ao pós-impressionismo e também aos principais pintores que se destacaram no trabalho individual em

IMPRESSIONISMO, PÓS-IMPRESSIONISMO E DESTAQUES INDIVIDUAIS DO SÉCULO XX
Arte asiática
O exotismo das artes decorativas em voga no século XX e a temática orientalista tão a gosto do romantismo do século XIX puseram em moda, no Ocidente, a milenar arte oriental, que havia conservado certa homogeneidade ao longo de séculos. Suas últimas criações, as estampas japonesas, eram muito apreciadas pelos pintores impressionistas.
Apesar da base territorial comum, existem profundas diferenças dentro do que se entende por arte asiática. As artes indiana, chinesa, japonesa e otomana, só para mencionar as mais importantes, têm escassos traços formais, espirituais e estéticos em comum para que se possa tratá-las como um todo.
É evidente que, aos olhos de um ocidental, todas essas culturas se enquadram na categoria "oriental". Na verdade, têm em comum o fato de serem estranhas à cultura ocidental e por isso a história da arte, escrita por intelectuais do Ocidente, abriu um abismo entre a evolução artística ocidental e a oriental.
Comparada à heterogeneidade de estilos que se verifica na arte ocidental, pode-se afirmar que as
formas artísticas orientais, que em alguns pontos remontam à pré-história, sua iconografia e sua temática, sofreram pouquíssimas modificações.
Em geral, as obras de arte orientais manifestam a força da religiosidade na vida cotidiana. Como exemplo, citam-se os santuários hindus e budistas, as esculturas de divindades indianas e japonesas e a profunda espiritualidade da pintura chinesa de paisagens.
Da mesma forma, é forçoso ressaltar a importância que adquiriram no Oriente as artes consideradas menores pelos ocidentais, especialmente a cerâmica e a arte de trabalhar o jade e a laca, muito apreciadas pela aristocracia e pela alta burguesia européia desde o século XVIII. A gravura, especialmente nos artistas japoneses, é também uma notável forma de expressão artística do Oriente. Nela chegou-se a um extraordinário virtuosismo, enriquecido pelo colorido e pela força expressiva.

ARTE ORIENTAL
Século XX
Os primeiros anos do século XX foram marcados por uma profunda crise de valores. A mudança de século deveria representar uma ruptura definitiva com os modelos do passado e a perspectiva de construção de um mundo melhor. A Europa, no entanto, vivia tempos difíceis, que culminariam na primeira guerra mundial, e já havia perdido em parte seu papel de condutora do mundo. A política colonialista praticada por algumas potências durante o período anterior começava a voltar-se contra elas mesmas e as antigas civilizações despertavam para a história contemporânea exigindo seu lugar ao sol. A Europa já não era o centro do mundo e em breve seria superada pelos dois colossos que protagonizariam os principais acontecimentos do século: os Estados Unidos e a União Soviética.
A crise política internacional não era mais do que um aspecto da crise generalizada que afetava principalmente as mentalidades e as idéias. O espírito científico que pouco a pouco ganhava espaço, a tecnologia e a indústria, ao mesmo tempo que proporcionavam progresso, criavam uma profunda insatisfação com a própria condição humana. A heterogeneidade que se vislumbrava em todos os campos do saber e da arte na segunda metade do século XIX desabrochou no novo século e a diversidade passou a ser o traço primordial de todas as manifestações artísticas.
A multiplicidade de propostas instalou-se por fim também nas artes plásticas. Os estilos e as opções individuais se sucediam vertiginosamente, pretendendo romper com o passado e lançar as bases da nova arte.
Em oposição aos critérios realistas e objetivos do fim do século precedente, as concepções artísticas inclinaram-se claramente, no auge do individualismo, para uma subjetividade tão marcante que tornou-se difícil entender e interpretar a obra de arte, principalmente pelo abandono dos traços figurativos em favor da abstração, freqüentemente ininteligível.
O início dessa revolução estética se deve à atitude das primeiras vanguardas históricas, cujas propostas inovadoras e ousadia chocaram o mundo artístico. Propunha-se desde a ruptura total com a perspectiva renascentista até o emprego livre da cor, passando pela destruição da forma e pelo culto à vida contemporânea.
Movimentos como o fauvismo, o cubismo e o futurismo foram os primeiros a rejeitar a tradição estética e, de certa forma, lançaram as bases de toda a arte do século XX, especialmente pela exaltação da liberdade criadora.

VANGUARDAS HISTÓRICAS
A crise engendrada no princípio do século chegou ao auge com a deflagração da primeira guerra mundial, cujo impacto sobre a cultura européia foi extraordinário. A tristeza, o pessimismo e a decepção causados pelo conflito bélico determinaram a consagração de uma das vanguardas mais críticas da sociedade contemporânea, o expressionismo, não somente nas artes plásticas como também no teatro, na música e no cinema.
A estética expressionista não era uma inovação do século XX, já que suas raízes podem ser rastreadas na obra de gênios como Goya, mas nas primeiras décadas do século ganhou categoria de movimento. Seu ponto de origem foi a Alemanha, mas logo se disseminou por toda a Europa. Seu culto à deformação da realidade e ao subjetivismo mais extremo, seu gosto pela técnica brusca e a preferência por temas ora fantásticos, ora de chocante crueza, foram a contrapartida artística da situação vivida pela Europa ocidental entre 1910 e 1920, década de esplendor do expressionismo.
Outras vanguardas contemporâneas do expressionismo não souberam aprofundar o sentimento de tristeza e desilusão, mas, ao contrário, se propuseram como principal objetivo a transformação do mundo moderno e a busca de uma vida melhor, na qual a arte e o artista desempenhariam papéis centrais. Tanto o neoplasticismo holandês quanto o construtivismo russo procuraram revolucionar a sociedade contemporânea com propostas estéticas distantes do figurativismo.

EXPRESSIONISMO E CONSTRUTIVISMO
A rejeição da racionalidade que havia conduzido a Europa ao sangrento conflito motivou ainda o nascimento de outros m