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Arábia


 Geografia Fisica

A Ásia projeta para o sul três grandes penínsulas: a Indochina, a Índia e a Arábia. A península arábica, situada no sudoeste asiático, é o ponto de confluência de três continentes.
Yazirat-al-Arab, que significa ilha dos nômades, foi berço de uma grande civilização que floresceu durante a Idade Média, a islâmica. A península constitui uma unidade geográfica de forma trapezoidal, com 2.590.000km2, e contém os seguintes estados: Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Omã e Iêmen. O território árabe, desértico e pobre em sua maior parte, converteu-se, após a descoberta de campos de petróleo em seu subsolo, em uma das regiões econômicas mais importantes do mundo.
A península arábica limita-se ao norte com a Jordânia e o Iraque, a leste com os golfos Pérsico e de Omã, ao sul com o mar da Arábia (oceano Índico) e a oeste com o mar Vermelho.


Geografia física
Regiões naturais. Na península distinguem-se as seguintes paisagens: os desertos, as estepes secas e os oásis. O principal deserto é o Rubal Khali, vasta área de 650 a 800km de largura, localizada ao sul. Uma parte da região desértica estende-se para o norte, indo fundir-se com o Nafud, que constitui o limite entre o deserto da Síria e a Arábia central. A estepe seca ocupa a maior parte do restante da Arábia. São grandes áreas com superfície plana ou suavemente ondulada, onde se encontram as fontes. Os oásis localizam-se em duas regiões: no centro da península, circundados por desertos, e nas zonas próximas ao litoral. Os principais oásis são o Djebel Chamar, que recebe água das cordilheiras vizinhas, o Kasin, e o Neid, o mais extenso.


Geologia e relevo. A Arábia constitui uma placa do antigo continente de Gondwana, ao qual esteve unida até cerca de vinte milhões de anos atrás. Na era mesozóica foi ocupada pelo mar, momento em que se depositaram as areias e conglomerados que hoje constituem a maior parte da região. Emergida no oligoceno (período terciário), começou a separar-se da África durante o mioceno, por meio da fossa tectônica do mar Vermelho.
Os grandes traços dessa península têm por base vasto escudo cristalino, que forma um planalto de bordo abruptamente escarpado na porção ocidental e que se inclina, em rampa suave e regular, na direção do golfo Pérsico. O escarpamento para o lado do mar Vermelho é muito brusco e aí se localizam as maiores altitudes da Arábia: o Djebel Sam (2.980m), em Omã, e o Djebel Shuayb (3.760m), no Iêmen. Esse enorme bloco, de estrutura geológica bastante uniforme, é recoberto por sedimentos, constituídos em sua maior parte de calcário e arenito. Não possui dobramentos, nem falhas em grande escala.


Clima. A Arábia é um elo na cadeia de desertos que se estende entre a África setentrional e a Ásia central. Apesar de estar cercada por mares, a influência moderadora do oceano é fraca, uma vez que as barreiras montanhosas limitam seus efeitos. A aridez e o calor predominam no clima da região, que é extremamente seco e apresenta grandes oscilações térmicas diárias: de 0 a 25o C no inverno e de 15 a 50o C no verão. As chuvas só beneficiam as zonas montanhosas do litoral e a chamada Arábia Feliz, onde a altitude provoca a condensação da umidade dos ventos oceânicos. Em contrapartida, o coração do planalto carece totalmente de precipitações.
As temperaturas de verão são bastante elevadas, cerca de 54o C à sombra, no litoral de Omã, ao longo do mar Vermelho e no Iêmen. Durante o inverno ocorre neve habitualmente sobre as montanhas e, raramente, sobre o planalto, no extremo setentrional. O norte da península recebe ventos procedentes do mar Mediterrâneo, os quais sopram em direção ao golfo Pérsico. Freqüentemente a Arábia é açoitada por tempestades de areia, ocasionadas por ventos quentes.
Hidrografia. Como conseqüência da aridez climática, a Arábia carece de rios permanentes. Existem apenas ueds, cursos d"água temporários, que recolhem as precipitações das cordilheiras periféricas. A maior parte dessa água se perde no interior da península, por evaporação ou filtração. O planalto é extremamente ressecado na borda ocidental. À medida que se caminha na direção do golfo Pérsico e do vale do Eufrates, os ueds são menos desenvolvidos, tornando-se quase imperceptíveis.
Embora os ueds não tenham um caudal permanente de água, esta pode ser encontrada sob seus leitos com a abertura de poços. Onde a água se encontra a pequena profundidade, aparecem os oásis, de importância fundamental, uma vez que fixam as tribos nômades e são focos iniciais de exploração agrícola e de irradiação de atividades econômicas.


Flora e fauna. Com exceção da tamareira, muito comum em toda a Arábia, praticamente não existem árvores na península. Vegetação de porte razoável são os zimbros, que crescem no planalto do sudoeste, e as tamargueiras, muitas vezes plantadas em filas para impedir ou retardar os deslocamentos de areia. O café ainda é bastante cultivado em algumas regiões, como as montanhas do Iêmen. Em outros pontos da península foi substituído pelo narcótico qat (Catha edulis), comercialmente mais lucrativo. Além dos cereais cultivados em diferentes regiões, como o trigo, a cevada e o arroz, a paisagem peninsular conta com plantações de fruteiras, especialmente romãzeiras, figueiras, bananeiras e cidreiras.
O dromedário é o principal suporte da vida nômade na Arábia, pois sem ele seria dificílimo o deslocamento dos beduínos. Os animais mais comuns da península são, no entanto, os caprinos e ovinos. Dentre os animais selvagens, destacam-se o lobo, a hiena, o chacal e a gazela. A serpente venenosa mais comum é a víbora de chifre. Além de diversas variedades de aves de rapina, como as águias e os abutres, a fauna da península apresenta garças, pelicanos, flamingos e outras aves marinhas.


População
De acordo com a tradição, os árabes descendem de duas raças, uma originária dos planaltos da península, e outra, que muitos julgam ser descendente de Ismael, filho de Abraão, oriunda da Arábia central. Devido ao segregamento natural ao longo de sua história, os habitantes da península arábica conseguiram manter uma grande hegemonia racial.
O árabe constitui a língua da imensa maioria da população, mas as comunidades de imigrantes africanos e asiáticos, que ali se instalaram, falam seu próprio idioma.
A classificação mais prática dos povos que habitam a península é a que os divide em nômades e sedentários. Os beduínos, nômades do deserto, vivem em tribos, ocupados com a caça, a criação e venda de camelos, o transporte e pilhagem. Os povos sedentários habitam o planalto do Iêmen, a região de Asir (na Arábia Saudita) e Omã.
O acelerado crescimento vegetativo, que apresenta índices superiores a 2,5% ao ano, tem como causa o elevado índice de natalidade e a queda das taxas de mortalidade. Mesmo assim não há grandes cidades na Arábia, resultado de uma irregular distribuição geográfica e da característica nômade de seus habitantes.
As cidades mais importantes são Meca e Medina, ambas consideradas sagradas pelo islamismo; Riyad, capital da Arábia Saudita; Hofuf, centro comercial; Djida, porto do mar Vermelho; Sana e Odeida, respectivamente capital e principal porto do Iêmen.
Durante o século XX, a indústria petrolífera determinou o surgimento de cidades ao longo do golfo Pérsico. Essa atividade econômica foi responsável por um fluxo migratório para as regiões produtoras, originário de países mais pobres da África e da Ásia.


Economia
Agricultura e pecuária. O clima da Arábia é o fator determinante da pobreza agrícola de seu território. Só na porção sudoeste, no Iêmen, situada na área afetada pelas monções, desenvolveu-se uma intensa agricultura de irrigação; é a terra do incenso, da mirra, do café e do fumo. No oásis do interior da península há plantações de palmeiras e pequenos cultivos de árvores frutíferas e hortaliças. Na zona do golfo Pérsico cultivam-se a cana-de-açúcar e o algodão.
A pecuária, praticada tradicionalmente pelos beduínos no sistema de transumância (migração periódica dos rebanhos), perdeu importância no decorrer do século XX. Os maiores rebanhos são de ovinos, caprinos e bovinos.
Entre os recursos marinhos destaca-se a pesca de ostras perlíferas no litoral do golfo Pérsico, principalmente em Bahrein.
A grande riqueza da Arábia consiste em seus vastos lençóis de petróleo. A produção petrolífera, da qual depende a economia dos países da península, é exportada para os Estados Unidos, Japão e, principalmente, para a Europa, que obtém nessa região a maior parte do petróleo que consome.


Transportes e comércio. A rede ferroviária da península arábica, muito reduzida, consiste em três linhas principais: Damasco-Medina, Meca-Djida e Riyad-Kuwait. As demais vias de comunicação são estradas carroçáveis, ainda que na segunda metade do século XX a exploração de petróleo no golfo Pérsico permitisse a construção de boas rodovias. O principal meio de comunicação entre as cidades é o transporte aéreo.
A privilegiada situação geográfica da península arábica promoveu a atividade comercial de seus habitantes em diversos períodos históricos. Até os portugueses descobrirem o caminho marítimo para as Índias, pelo cabo da Boa Esperança, no século XV, os árabes atuaram como intermediários no comércio entre o Mediterrâneo e a Índia. A abertura do canal de Suez, em 1860, voltou a valorizar a região, afastada desde o século XVI das rotas internacionais de comércio. Depois da segunda guerra mundial, o comércio árabe passou a se basear na exportação de petróleo e na importação de produtos manufaturados. Os principais portos da região são Djida, Aden, Cidade do Kuwait e Dubai.


História
Arábia pré-islâmica. As diferenças geográficas da península criaram nítidas diferenças de civilização entre o norte e o sul. De um lado a Arábia Feliz, ao sul, onde floresceram, desde o século XV a.C., poderosos reinos como o de Sabá, o mineano e o himiarita. É a chamada civilização agrária dos iemenitas sedentários. De outro, do centro para o norte, a civilização dos iemenitas nômades do deserto, que só se conhece através de referências em textos egípcios, assírios e do Antigo Testamento. O povo mais conhecido é o nabateu, cujo reino tinha capital em Petréia, e a partir do século I da era cristã manteve boas relações com os romanos, a ponto de tornar-se província imperial na época de Trajano. No século II surgiu no deserto norte-ocidental o reino de Palmira, depois ocupado e saqueado pelos romanos (século III). O período seguinte (entre os séculos IV e VI) foi de decadência e dominação estrangeira (Bizâncio e Pérsia).
Divididos em tribos, geralmente inimigas, foi na língua, na religião baseada no culto a árvores e a pedras, no desenvolvimento do comércio, cujo centro era Meca, na ação de idéias monoteístas trazidas por judeus e cristãos, que os árabes encontraram a necessária unidade política, utilizada por Maomé para difundir suas idéias.


Ascensão do Islã. No ano de 570 nasceu Maomé, na cidade de Meca, filho de uma família de mercadores. No princípio do século VII iniciou a pregação do islamismo, religião de caráter eclético, que incorporava elementos do judaísmo e do cristianismo -- o monoteísmo, a peregrinação e o jejum --, ao mesmo tempo em que mantinha algumas antigas crenças idolátricas árabes, como a veneração da pedra negra, a Caaba. Por meio da religião Maomé conseguiu acabar com as lutas fratricidas entre as diferentes tribos.
Em Medina, ele organizou a comunidade islâmica, de base democrática. A oligarquia dos ricos mercadores, fixada em Meca, foi vencida finalmente pelo profeta, em 630. Após a morte de Maomé em 632, a Arábia se converteu num estado unificado e bem organizado, sob o califado ortodoxo dos quatro primeiros califas: Abu Bakr, Omar, Otman e Ali.
Sucessores de Maomé, os califas criaram em menos de um século um vasto império que se estendeu para o oeste, até a Espanha, o leste, até a Índia e o norte, até o Turquestão. Foi o momento de esplendor da civilização islâmica; enquanto o Ocidente submergia no obscurantismo medieval, os árabes desenvolveram uma cultura refinada, e as grandes cidades de seu império -- Meca, Alexandria e Córdoba -- assombraram com sua magnificência a Europa rural. Desde o advento da dinastia dos omíadas no final do século VII, o centro da vida política transferiu-se para Damasco (capital atual da Síria). No século VIII, com o advento da dinastia abássida, teve início o declínio dos árabes, pois o novo governo tinha o apoio dos clãs turcos e persas. A Arábia, embora conservasse o prestígio de centro religioso do Islã, passa a ser simples província do império. Meca e Medina várias vezes tentaram, em vão, recuperar o antigo prestígio.
Renascem então as velhas disputas tribais, traduzidas pelo surgimento de seitas heterodoxas (xiitas, caridjitas, sunitas e outras). Todas as tentativas de revolta foram sufocadas.

Desagregação da civilização árabe.Desde o século X, a Arábia começou a fechar-se sobre si mesma; sua civilização, que se estendia da Europa à Índia, desagregou-se. A região voltou a ser um mosaico de tribos que se dizimavam em lutas contínuas. Entretanto, a situação geográfica da Arábia foi a garantia de sua independência. O deserto constituía uma barreira contra qualquer invasão. As tentativas de seldjúcidas e mongóis fracassaram, e mesmo o domínio turco, iniciado no século XV, foi apenas formal. A Arábia central continuou independente e suas tribos viviam como antes de Maomé.
Reagrupamento e formação dos estados nacionais. O despertar nacional da Arábia ocorreu no século XVIII, com o movimento wahabita, que preconizava a restauração da ortodoxia islâmica e a união das tribos em torno de um ideal religioso comum. O defensor dessas reformas foi Abd al-Wahab que levou tais ideais aos clãs beduínos. No princípio do século XIX um chefe religioso wahabita, Mohamed ibn Saud, estendeu seu poder até Damasco. Ao falecer, em 1814, a liderança passou a seu filho Abdala ibn Saud, derrotado pelos egípcios sob o comando de Mehmet Ali, que agia em nome do sultão otomano (turco). Uma nova rebelião wahabita seria reprimida em 1836. Na segunda metade do século, os territórios de Aden e Omã foram transformados em protetorados britânicos.
No século seguinte o intenso comércio com as Índias e a abertura do canal de Suez fariam da Arábia novamente centro de disputas, dessa vez com interesses diretos das grandes potências européias. A Inglaterra, que havia estendido sua influência sobre -- partes da península, ocupando as ilhas Bahrein, atuando no Kuwait e transformando em protetorados Aden, Omã e Hadramaut, passa a incentivar o nacionalismo árabe, explorando a aversão dos potentados locais pelos turcos.
No princípio do século XX, Abd al-Aziz ibn Saud, descendente do fundador do movimento wahabita e do líder homônimo, conhecido como Ibn Saud, tentou novamente a unificação da Arábia. Em 1914 conseguiu dominar a zona central da península, mas suas pretensões unificadoras chocaram-se com as aspirações dos xeques e sultões árabes, que pensavam conseguir a independência política de seus territórios depois da destruição do poderio otomano. Assim, durante a primeira guerra mundial, os potentados locais, excetuando-se o imã do Iêmen, se aproveitaram para desligar-se do império otomano, aliado da Alemanha e da Áustria. Os britânicos, por seu lado, incentivaram o nacionalismo árabe, e T. E. Lawrence (Lawrence da Arábia) organizou a resistência e a liberação de várias regiões. Em 1917, quase todos os otomanos já haviam sido expulsos da península.
Terminada a guerra, Ibn Saud conquistou áreas junto ao litoral do mar Vermelho e fechou as fronteiras ao Iêmen, território que não conseguiu conquistar. Em 1927, o Reino Unido reconheceu a independência da Arábia Saudita, que ocupa quase oitenta por cento da península.
Depois da segunda guerra mundial, os demais países árabes foram conquistando sua independência. Em 1961 ocorreu a independência do Kuwait e no ano seguinte foi proclamada a República Popular Democrática do Iêmen. (Os dois países se uniram em 22 de maio de 1990, com o nome de República do Iêmen.) Omã se tornou independente em 1970 e no ano seguinte assim o fizeram o Qatar, Bahrein e os Emirados Árabes Unidos.
A Arábia deu à humanidade importante contribuição histórica, política e cultural. Sua língua, com variações locais, se fala em grande parte do mundo islâmico, e sua religião, que influi em quase todos os aspectos da vida, desde a organização política até as artes, é uma das mais importantes do planeta.