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Aparelho Urogenital


 Anatomia Humana

Excreção e reprodução constituem duas funções biológicas básicas, que nos animais superiores se realizam por meio de uma série de órgãos complexos, os quais formam, em conjunto, o aparelho urogenital.
Aparelho urogenital é a unidade anatômica constituída pelos órgãos formadores e eliminadores da urina e pelos órgãos genitais responsáveis pela reprodução e perpetuação da espécie. Na espécie humana, como em outros mamíferos, o aparelho urinário compõe-se de dois rins, dois ureteres, bexiga urinária e a uretra. Os órgãos genitais compreendem, no homem, o pênis, os testículos, o epidídimo, a próstata, o escroto, o cordão espermático e as vesículas seminais; na mulher, compreendem a vulva, a vagina, o útero, as trompas e os ovários.

Anatomia comparada

A excreção nos organismos unicelulares, nas esponjas e nos celenterados se faz por difusão simples, ou seja, pela superfície do corpo. Nos protozoários de água doce, a quantidade de água no interior do organismo é regulada pelo vacúolo contrátil (ou pulsátil), que, por contrações rítmicas, expulsa o excesso de líquido para o exterior. Nos platelmintos, encontram-se já as células-flama, estruturas excretoras especializadas que, mediante o movimento coordenado de um conjunto de cílios, transferem excretas solúveis do líquido intercelular para o interior de canais excretores que desembocam na superfície do corpo. Nesse ramo, distinguem-se também gônadas internas, dutos reprodutores permanentes e órgãos copuladores. Os asquelmintos têm sexos separados: os machos são menores e têm espículas copuladoras. A classe dos nematódeos apresenta órgãos reprodutores relativamente simples: são testículos ou ovários fixados na extremidade de um tubo retorcido. As fêmeas dispõem de útero para armazenar temporariamente os ovos fertilizados.

Os anelídeos (minhocas e sanguessugas) possuem um par de nefrídios, estruturas excretoras na forma de um tubo muito longo e fino, em cada segmento do corpo (metâmero). Na extremidade de cada nefrídio há um funil ciliado (nefróstoma) que se abre na cavidade interna do corpo (celoma). Por meio de batimentos ciliares, o nefróstoma suga o líquido celomático. Este vai sendo filtrado à medida que passa pelo interior de um túbulo fino, o nefroduto, que é entrelaçado com capilares sangüíneos, para os quais retornam algumas substâncias. Finalmente, uma urina muito diluída é depositada no interior de uma dilatação do tubo e eliminada pelo nefridióporo. Entre os anelídeos, os poliquetos são dióicos (os órgãos sexuais masculinos e femininos estão em indivíduos distintos) e os oligoquetos, monóicos. Em alguns, as gônadas ocorrem em vários segmentos sucessivos do corpo.
A maior parte dos artrópodes é dióica, mas muitos são hermafroditas e alguns se reproduzem por partenogênese (sem fertilização). A excreção dos insetos se faz pelos túbulos de Malpighi, que absorvem a excreta do sangue para transportá-la até o intestino do animal. Nos aracnídeos, os órgãos excretores chamam-se glândulas coxais, têm forma tubular e situam-se junto ao cefalotórax, enquanto nos crustáceos denominam-se glândulas verdes e se abrem em poros excretores nas bases das antenas.

Nos vertebrados, a excreção faz-se por meio de órgãos altamente especializados, os rins, que podem ser de três tipos: pronefro, muito comum em embriões, segmentado e situado na porção anterior do corpo; mesonefro, também segmentado e situado na porção mediana do corpo; e metanefro, não-segmentado e localizado na região abdominal.
Os animais superiores apresentam órgãos sexuais masculinos e femininos em indivíduos distintos. Esses órgãos consistem em gônadas, com suas glândulas e dutos associados, que produzem os gametas e os hormônios essenciais à reprodução.


Aparelho urinário humano

Os rins, situados em ambos os lados da coluna vertebral, no nível das vértebras lombares mais altas, têm forma comparável à de um feijão e apresentam uma incisura medial, que corresponde ao hilo, por onde passam o ureter, vasos sangüíneos, vasos linfáticos e nervos. Em corte transverso, o rim consiste numa região cortical exterior, numa região medular, com áreas em forma piramidal, e no bacinete (ou pelve renal), que conduz ao ureter. O bacinete divide-se em dois tipos de cálices (os maiores e os menores).
A estrutura de cada rim é a de uma glândula tubular composta, cuja unidade filtradora, denominada néfron, compreende o corpúsculo ou glomérulo renal e o túbulo renal correspondente. Os glomérulos renais compõem-se de um enovelado capilar arterial envolvido por uma cápsula de paredes duplas, a cápsula de Bowman.

 

Ao sair do glomérulo, o túbulo se apresenta enovelado em formação compacta, porção que se conhece como túbulo contornado proximal, ainda localizado no córtex; penetra retilineamente no hilo, alcança porções variáveis da medula e volta-se sobre si mesmo, para formar a alça de Henle; retorna à zona cortical, ainda junto ao glomérulo, para enovelar-se novamente e constituir o túbulo contornado distal. Daí por diante, torna-se retilíneo, juntando-se com outros túbulos contornados distais para formar um túbulo coletor na zona medular. Vários túbulos coletores se reúnem e desembocam nas papilas ou dutos papilares. Cerca de vinte túbulos coletores de cada papila desembocam nos cálices.

O rim é abundantemente irrigado de sangue pela artéria renal, ramo da aorta abdominal que nele penetra pelo hilo e logo se divide em vários ramos. Esses ramos (artérias interlobares) alcançam a zona limítrofe entre o córtex e a medula (porção central do rim) e de sua ramificação provêm as arteríolas aferentes dos glomérulos renais, isto é, as artérias que penetram nos respectivos glomérulos renais. Dentro dos glomérulos, os capilares se reúnem e formam a arteríola eferente (muito menor que a aferente), que ramifica-se e toma parte na formação da rede capilar geral do rim.

 

 

Nessa rede capilar tem origem, como nos demais órgãos, o sistema venoso do rim. As veias acompanham o trajeto das artérias e, por confluências sucessivas, vêm a constituir a veia renal, tributária da veia cava inferior. O volume de sangue que atravessa as artérias e veias renais em cada minuto corresponde a duas vezes o peso do rim. O processo de formação da urina começa com a ultrafiltração passiva, no glomérulo, de um líquido equivalente ao plasma sangüíneo sem proteínas (chamado filtrado glomerular). Esse líquido passa em seguida ao túbulo contorcido, enquanto o sangue filtrado no glomérulo transfere-se para os capilares que envolvem o túbulo. As substâncias essenciais ao organismo (como aminoácidos, glicose e água) ainda presentes no filtrado glomerular são reabsorvidas pelas células da parede tubular e retornam ao sangue. Do total de água filtrada nos glomérulos, 99,8% são reabsorvidos pelos túbulos. Após atravessar a rede de capilares pós-glomerulares, o sangue chega ao coletor venoso.

Os túbulos coletores do rim lançam a urina na pelve renal, que resulta da confluência dos cálices maiores e desemboca no ureter. Este, por sua vez, une-se à bexiga pelo óstio renal. A bexiga é uma dilatação em forma de bolsa, musculomembranosa situada na cavidade pélvica, atrás do púbis. Trata-se de um órgão móvel, porém mantido em posição por diversas estruturas. A parede da bexiga é constituída de três grupos de músculos: expulsor da urina, trígono e esfíncter. A porção média da camada muscular é formada de fibras dispostas circularmente, enquanto as porções interna e externa são constituídas de fibras longitudinais. A mucosa da bexiga é semelhante à do ureter e à da uretra. Sua capacidade de distensão é grande: pode conter até 500cm3 de urina. A uretra, último segmento das vias urinárias, é diferente nos dois sexos, inclusive quanto a suas funções e relações. No homem, parte desse segmento também funciona como via excretora espermática. Na mulher, a uretra serve apenas para a eliminação da urina.

 

Aparelho genital masculino

Os testículos, no aparelho genital masculino, são responsáveis pela elaboração do hormônio sexual masculino (testosterona) e pela produção de espermatozóides, conduzidos ao exterior pelas vias espermáticas: túbulos seminíferos retos, rede testicular, dutos eferentes, epidídimo, duto deferente com vesícula seminal e duto ejaculatório, que desemboca na porção prostática da uretra. Anexas à uretra, existem a próstata e as glândulas bulbo-uretrais. As vesículas seminais, a próstata e as glândulas bulbo-uretrais participam da formação do esperma, que compreende os espermatozóides, isto é, as células sexuais masculinas, e os fluidos glandulares que os mantêm.

O pênis prende-se à porção anterior do períneo e apresenta um corpo móvel, que se torna rígido por ocasião da ereção, e uma extremidade anterior, a glande, dilatada, relacionada com o corpo cavernoso do pênis e coberta por uma prega retrátil de pele, o prepúcio. Constitui-se de três massas cilíndricas de tecido cavernoso (tecido que contém grandes espaços venosos) ligadas por tecido fibroso e cobertas de pele. O tecido cavernoso é também descrito como tecido erétil, porque os espaços venosos se distendem com sangue durante a excitação sexual.

Patologias do aparelho urogenital. Infecções, doenças sexualmente transmissíveis, tumores e cálculos são as doenças que mais comumente afetam o aparelho urogenital. A invasão do aparelho urinário por agente infeccioso é denominada infecção urinária. Essa infecção pode ser leve e assintomática, ou apresentar um quadro grave. A infecção urinária tem maior incidência em meninas com menos de dois anos e em homens com mais de quarenta anos. No primeiro caso, resulta em geral de malformações congênitas e, no segundo, de obstruções provocadas pela próstata. Pode espalhar-se para outros setores das vias urinárias: por esse mecanismo, a infecção renal (pielonefrite) pode dar infecção na bexiga (cistite).

As doenças sexualmente transmissíveis resultam do contato sexual com pessoas infectadas. Os cálculos se formam no tecido renal, nos cálices ou na pelve renal, de onde podem passar ao ureter e à bexiga. Resultam da concreção de elementos cristalinos e amorfos, reunidos por um retículo coloidal. Há cálculos de fosfato de cálcio, fosfato de amônio e magnésio, carbonato de cálcio, ácido úrico, oxalatos, xantina e cistina. No ureter, os cálculos provocam obstrução e cólicas. Os cálculos da bexiga provêm, na maioria das vezes, dos rins e costumam ser expelidos pela uretra. Outras vezes ficam na bexiga e crescem dentro dela.

Os tumores do aparelho urogenital são classificados em benignos (cistoadenoma papilar e tumores císticos) e malignos (hipernefromas, adenocarcinomas, embrioma renal -- também chamado tumor de Wilms -- e sarcomas). O tratamento é quase sempre cirúrgico, associado ou não à radioterapia e à quimioterapia.