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Antilhas


 Geografia Fisica

Primeiras terras descobertas por Colombo no Novo Mundo e que serviriam de base para a conquista do território continental americano, o arquipélago das Antilhas é dotado de uma paisagem tropical de beleza exuberante. Sua colonização produziu uma mescla de elementos étnicos europeus, africanos e asiáticos, com reduzida participação indígena.
As Antilhas formam um colar de ilhas entre a América do Norte e a do Sul, entre o mar das Antilhas, ou do Caribe, e o oceano Atlântico, estendendo-se desde a Flórida e o Yucatán, num extremo, até a costa setentrional da América do Sul.
O nome Antilhas origina-se de Antília, denominação de uma ilha lendária situada no oceano Atlântico, a oeste da Europa, e foi dado às ilhas descobertas por Colombo, ao comprovar-se que ele não chegara às Índias.
A área total atinge cerca de 238.000km2, com maior extensão na parte setentrional, estreitando-se na direção sudoeste. O arquipélago compreende 13 países independentes e diversos territórios dependentes dos Estados Unidos, França, Países Baixos e Reino Unido. Excluídas as Bahamas, as Antilhas dividem-se em dois grupos: Grandes Antilhas, constituídas por Cuba, Hispaniola (Haiti e República Dominicana), Jamaica e Porto Rico; e Pequenas Antilhas, compostas pelas ilhas menores, subdivididas em ilhas de Barlavento, a leste, desde as ilhas Virgens até Trinidad, e ilhas de Sotavento, ao sul, paralelamente à costa venezuelana.


Geografia. O arquipélago apresenta grande diversidade de aspectos, diretamente relacionados com a estrutura geológica, responsável pelo relevo. As Antilhas constituem a parte emersa de uma série de cordilheiras submarinas, divididas em várias ramificações e separadas por fossas muito profundas, que chegam a oito mil metros. As Grandes Antilhas, a linha noroeste das Pequenas Antilhas e as ilhas paralelas à costa venezuelana são formadas fundamentalmente por rochas sedimentares da era mesozóica, erguidas durante a era cenozóica. As Grandes Antilhas caracterizam-se por planícies e maciços montanhosos, resultantes de formações vulcânicas justapostas à sedimentação marinha recente. O setor oeste e meridional das Pequenas Antilhas resulta de manifestações vulcânicas, que tiveram seu auge na era cenozóica, mas ainda persistem, como atestam as violentas erupções no início deste século na Martinica (monte Pelée) e em São Vicente (vulcão Soufrière). As Antilhas possuem relevo acidentado, mas não muito alto. O ponto culminante, pico Duarte (3.175m), fica na República Dominicana.
Os rios são, em geral, curtos e rápidos. Lagoas e mangues são comuns no litoral, muito recortado e orlado de recifes. Há vários portos naturais, como os de Havana (Cuba) e St. George"s (Granada). O clima é tropical e só há duas estações: a chuvosa, no verão, e a de estiagem, no inverno. A temperatura média anual é de 26,7o C e, mesmo nos meses mais frios, raramente desce a menos de 24o C. Entre 15 de julho e 15 de outubro, o superaquecimento do Caribe forma ciclones, que devastam a região e invadem o sul dos Estados Unidos, com ventos de até 250km/h.
Nas áreas mais chuvosas e quentes encontra-se a floresta equatorial. Nas regiões de menor precipitação (vertente ocidental), acham-se as estepes. Nos trechos médio e elevado das cordilheiras existem formações subtropicais, além da floresta de pinheiros. Há também muitas palmeiras e árvores frutíferas. A fauna assemelha-se à da América do Sul. Os numerosos pássaros, de plumagem brilhante e colorida, incluem os surucuás, papagaios, flamingos róseos, fragatas e beija-flores. Os mamíferos são raros, mas encontram-se cutias, cervos, macacos e morcegos. Há grande quantidade de lagartos, tartarugas, escorpiões, sapos, aranhas e centopéias, além de algumas cobras venenosas, como a jararaca, a surucucu e a coral. Também é grande a variedade de insetos. Nos mares os peixes são abundantes, destacando-se o peixe-voador, encontrado nas costas de Barbados. Nas praias há grande número de crustáceos.


População. Quando os espanhóis chegaram, no início do século XVI, as Antilhas eram habitadas por dois grupos ameríndios: os aruaques e os caraíbas. Ainda no século XVI, ingleses, franceses e holandeses interessaram-se pela região e conquistaram algumas ilhas. Como os indígenas não se sujeitaram à escravidão imposta pelos europeus para o trabalho agrícola, foram praticamente dizimados. Para substituí-los, foram trazidos negros africanos para as colônias inglesas, francesas e holandesas. Em fins do século XIX, com a abolição da escravatura, os negros abandonaram as culturas canavieiras e foram substituídos por indianos, chineses e indochineses, nas colônias inglesas; e por malaios, nas holandesas. A esses tipos étnicos juntaram-se, nas colônias espanholas, os mestiços de branco e índio, e de branco e negro (em menor proporção).
Nas ilhas de colonização inglesa (como Jamaica e Trinidad) e nas de colonização francesa (como Guadalupe e Martinica), a presença do negro é predominante na população. Nas ilhas de colonização holandesa (Aruba, Curaçao, Bonaire), os malaios preponderam. O branco predomina em Porto Rico e em Cuba, o mulato (branco e negro) no Haiti e na República Dominicana, e o índio ainda tem importância na população de Trinidad e Tobago, que conta com a maioria de asiáticos das Antilhas.
A taxa de crescimento demográfico de muitas ilhas, como Jamaica e sobretudo Porto Rico, é bastante alta. A sociedade apresenta uma estratificação por grupos raciais, com predomínio econômico e político das elites brancas. Em Cuba e na República Dominicana, o idioma oficial é o espanhol; em Porto Rico, o espanhol e o inglês; e no Haiti, o francês, embora a língua comumente usada pelos haitianos seja o crioulo, mistura de francês seiscentista com dialetos africanos, inglês, espanhol e palavras indígenas. Nas áreas de colonização francesa, fala-se o patoá. Em Curaçao, usa-se o papiamento, misto de elementos espanhóis, portugueses, holandeses e africanos.
Em Cuba, Porto Rico, Martinica, Trinidad e várias outras ilhas, a educação é compulsória. Nas ilhas maiores há diversas universidades e institutos de educação superior, destinados ao ensino agrícola, técnico, comercial e pedagógico, enquanto nas ilhas mais pobres a taxa de analfabetismo é bastante alta.
Em geral, adotam-se as religiões dos colonizadores principais, mas predomina o sincretismo, com a manutenção de numerosos cultos de origem africana. Os grupos provenientes da Ásia, na maioria indianos, conservam religiões, línguas e costumes orientais. No Haiti, desenvolveu-se o vodu, com elementos pagãos, animistas e africanos, que desempenhou importante papel de integração na luta pela independência.


Economia. Desde a colonização, a agricultura tem sido a atividade econômica predominante. A cana-de-açúcar surge como o principal produto agrícola, alimentando grandes usinas. Cuba é um dos maiores produtores mundiais de açúcar, embora a cana também ocupe lugar de destaque na economia das outras ilhas. São muitos os subprodutos da cana, e o rum é destilado em todas as ilhas, principalmente na Jamaica. As áreas que sofreram os efeitos negativos dessa economia baseada na monocultura têm procurado desenvolver culturas subsidiárias. Cuba cultiva tabaco, para os famosos charutos de Havana; Jamaica, bananas; São Vicente, araruta; Granada, especiarias; Trinidad, cacau; Dominica, limas; Antigua, algodão; Porto Rico e República Dominicana, café; e Haiti, sisal. Além dessas culturas, são comercializadas frutas tropicais, como manga, mamão, abacaxi, fruta-pão e cítricos.
Os recursos minerais são escassos, com exceção da bauxita na Jamaica, um dos principais exportadores mundiais, e do petróleo em Trinidad. Existem reservas de ferro, níquel, manganês e cromo, exploradas em pequena escala. Em Porto Rico há depósitos de cobre, e grande quantidade de asfalto líquido é extraída do lago Pitch (Betume), em Trinidad.
Só nas ilhas mais extensas as ferrovias representam importante meio de transporte para conduzir a cana às refinarias, especialmente em Cuba.  A maioria das ilhas dispõe de rede rodoviária e todas, exceto as menores, contam com aeroportos. Os principais portos são os de Havana (Cuba), San Juan (Porto Rico), Kingston (Jamaica), Port-of-Spain (Trinidad) e Bridgetown (Barbados). A comunicação entre as ilhas faz-se principalmente por via aérea. O turismo, atraído pelo clima, pela bela paisagem e pelo caráter exótico dos povos caribenhos, tem despertado interesse crescente, constituindo a principal fonte de divisas para muitas ilhas.


História. O arquipélago foi descoberto em 1492 por Cristóvão Colombo, que esteve em várias ilhas das Bahamas, em Cuba e Hispaniola. Na segunda viagem (1493), Colombo visitou várias ilhas de Barlavento, Porto Rico e Jamaica. Na terceira (1496), descobriu Trinidad, Margarita e diversas ilhas costeiras. Também em 1496 foi fundada Santo Domingo, por muitos anos a capital das chamadas Índias Ocidentais. O povoamento espanhol começou pelo Haiti (1493), estendendo-se depois a Porto Rico (1508), Jamaica (1509) e Cuba (1511). A existência, em Hispaniola e Cuba, de ouro aluvial atraiu grande número de colonizadores espanhóis. Abundante a princípio, o ouro antilhano levou à escravização das populações indígenas, que logo foram dizimadas pelas doenças européias, pelas expedições punitivas contra os rebelados e pelos maus-tratos.
No início do século XVI, as ilhas serviram de base para as expedições enviadas à América Central e ao México, tornando-se postos de abastecimento com importância estratégica. O crescente número de navios que transportavam produtos tropicais e prata do México e do Peru despertou a cobiça de corsários e piratas, que também saqueavam as cidades litorâneas da região. Fundada nos Países Baixos em 1621, a Companhia das Índias Ocidentais passou a atacar a navegação espanhola, acarretando a ocupação holandesa de Curaçao, Saba, São Martinho, São Eustáquio e Bonaire, de 1630 a 1648, quando sua posse foi reconhecida pela Espanha.
O enfraquecimento do poder naval espanhol favoreceu o estabelecimento de ingleses em São Cristóvão, Barbados, Saint Croix, Nevis, Antigua, Montserrat e Jamaica. A França iniciou a colonização de Guadalupe e Martinica, além de ocupar a costa ocidental de Hispaniola, cuja posse lhe foi reconhecida. A segunda metade do século XVII foi um período de agitação, em que bandos de piratas, a serviço da Inglaterra ou da França, ou por conta própria, saqueavam portos espanhóis e roubavam navios de qualquer nacionalidade. Também nessa época a cultura da cana-de-açúcar suplantara a do tabaco, e o trabalhador europeu fora substituído pelo escravo africano. As técnicas de manufatura do açúcar foram importadas do Brasil por negociantes holandeses, que haviam adquirido aos portugueses a maioria dos antigos entrepostos de escravos na África ocidental, passando assim a fornecer também a mão-de-obra. A crescente produção açucareira, o intenso tráfico de escravos e o contrabando estimulavam a disputa pelo domínio das ilhas.
No século XVIII, as guerras européias, que envolviam Espanha, França, Grã-Bretanha e Holanda, repercutiram em suas possessões, resultando em tratados que incluíam freqüentes cessões ou devoluções de ilhas. A Grã-Bretanha obteve o controle de Santa Lúcia, Granada, Dominica, São Vicente e Trinidad e Tobago. A França reteve Guadalupe e Martinica, mas o Haiti conquistou a independência (1804). A Espanha conservou Cuba, Porto Rico e Santo Domingo, mas em 1844 Santo Domingo tornou-se independente, com o nome de República Dominicana e, como conseqüência da guerra hispano-americana (1898), Cuba proclamou sua independência e Porto Rico foi anexado pelos Estados Unidos.
A prosperidade das Antilhas não durou muito após o século XVIII. O grande aumento da produção açucareira em outras partes do mundo provocou a queda dos preços. Guerras periódicas deslocavam o comércio e elevavam os custos de fretes e seguros. Entre os fatores que contribuíram para o declínio contam-se: a abolição do tráfico negreiro britânico em 1807; a emancipação dos escravos nas colônias britânicas, entre 1833 e 1838, e nas francesas em 1848; e a supressão, em 1846, por parte do Reino Unido, das tarifas preferenciais para os produtos de suas colônias. Para a maior parte dos territórios das Antilhas o século XIX representou um período de empobrecimento, que se prolongaria. As principais exceções foram Trinidad, onde imigrantes da Índia forneceram a mão-de-obra necessária, e Cuba, que manteve a escravidão até 1886.
No século XX, a abertura do canal do Panamá e a exploração de petróleo na Venezuela deram novo alento às ilhas holandesas costeiras, com a instalação de refinarias em Curaçao e Aruba. Em 1946 Guadalupe e Martinica transformaram-se em departamentos franceses de ultramar. As ilhas britânicas formaram, em 1958, a Federação das Índias Ocidentais, mas seu fracasso redundou na independência de Trinidad e Tobago, Jamaica e Barbados. A influência dos Estados Unidos na região já se fazia sentir desde fins do século XIX, mas Cuba aliou-se à União Soviética depois da revolução de 1959 e manteve uma posição de confronto com os Estados Unidos, mesmo depois da dissolução da União Soviética em 1991. Os Estados Unidos voltaram a intervir militarmente na região em 1994, para reconduzir ao poder Jean-Bertrand Aristide, eleito presidente constitucional do Haiti em 1990, mas impedido de assumir por um golpe militar.