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Anemia


 Patologias

O quadro patológico caracterizado por sensação de abatimento, sonolência, palidez (da pele e das mucosas), cefaléias, zumbido nos ouvidos, tonturas e frio, corresponde, em elevada percentagem dos casos, a algum tipo de anemia.
Anemia é a condição em que o sangue apresenta carência de algum integrante de sua composição ou redução em sua quantidade global. Ocorre, por exemplo, quando há redução anormal do número de hemácias por milímetro cúbico ou da quantidade de hemoglobina e do volume de eritrócitos por cem mililitros de sangue (hematócrito). As causas das anemias podem ser reunidas em três grupos: perda de sangue (anemia aguda ou crônica);  destruição excessiva de hemácias (anemia esferocítica e falciforme); produção deficiente das células sangüíneas, devida à carência de substâncias essenciais à produção de hemácias (eritropoiese), como o ferro, a vitamina B12, o ácido fólico e as proteínas. O tratamento consiste em afastar a causa, se possível, e suprir a carência, quando necessário.


Classificação. As anemias, segundo as causas que as produzem, podem ser: (1) anemias pós-hemorrágicas (por perda exagerada de sangue); (2) anemias carenciais (por dificuldades na formação de hemácias); (3) anemias hemolíticas (por destruição exagerada de glóbulos vermelhos); (4) anemias aplásticas ou hipoplásticas (por destruição ou inibição da medula óssea, sítio onde se produzem os glóbulos vermelhos).


Anemias pós-hemorrágicas. As anemias decorrentes de perda sangüínea exagerada podem ser agudas, quando provêm de hemorragias abruptas e volumosas, ou crônicas, quando se seguem a pequenas perdas sangüíneas mas reiteradamente persistentes. Frente à anemia aguda grave, que leva o paciente ao choque, ao lado da procura e do combate da causa, lança-se mão da transfusão de sangue, para o restabelecimento do volume sangüíneo.


Anemias carenciais. Classificam-se como carenciais, em sentido amplo, todos os tipos de anemia que ocorrem em virtude da falta de quaisquer substâncias ou biocatalisadores necessários para a formação da hemoglobina ou para o desenvolvimento das hemácias: os principais são a anemia ferropriva, a anemia hipoprotéica e a anemia perniciosa.
A falta de ferro, necessário para se formar hemoglobina, origina um grupo de anemias chamadas de hipocrômicas ou ferropênicas, com as seguintes causas principais: (1) dietas pobres em ferro; (2) dificuldade na absorção gastrentérica do ferro alimentar (por falta de ácidos ou enzimas que favoreçam sua absorção, ou pela presença de substâncias que a inibam); (3) transporte deficiente do ferro absorvido para o órgão que irá produzir as hemácias; (4) necessidade aumentada de ferro, o que ocorre, por exemplo, durante o crescimento corporal; (5) perdas excessivas de ferro para o exterior (hemorragias).
O tratamento da anemia ferropriva baseia-se na administração de ferro, que pode ser empregado sob a forma de diversos sais (sulfato, gluconato etc.) por via oral. Esses produtos são em geral associados a vitamina C e complexo B. A ferroterapia deve ser mantida pelo menos até decorrido um mês depois de haver a hemoglobina alcançado seus valores normais, a fim de se repor a reserva de ferro do organismo. Atualmente existem preparados de ferro injetável indicados principalmente nos casos de anemia ferropriva acentuada. Uma alimentação saudável e variada e vida ao ar livre são medidas igualmente recomendáveis.
A anemia perniciosa, também chamada de anemia de Addison, é uma forma crônica de anemia associada a perturbações gastrintestinais e nervosas. Sua causa parece ser a falta, no suco gástrico, de um fator denominado intrínseco, responsável pela absorção da vitamina B12. Essa vitamina é de grande importância para a formação das hemácias; em sua ausência, os  glóbulos vermelhos produzidos são excessivamente grandes (megalócitos). O tratamento da anemia perniciosa baseia-se na administração de vitamina B12 e alimentação rica em proteínas, além de, eventualmente, outras medidas.


Anemias hemolíticas. O que caracteriza esse grupo de anemias é a acentuada destruição de hemácias no sangue periférico. A duração (vida média) dos glóbulos vermelhos, normalmente de 120 dias, reduz-se para 8-25 dias. Vários fatores podem acarretar essa destruição exagerada de hemácias: infecções, certos tóxicos e medicamentos, fatores hereditários etc.
A anemia falciforme, também denominada drepanocítica, é um tipo especial da hemolítica e se caracteriza pela forma semilunar que adquirem as hemácias. É doença crônica, hereditária, que acomete quase exclusivamente indivíduos de raça negra. Alguns podem acusar essa anomalia do eritrócito sem apresentar a doença (forma latente ou compensada: drepanocitemia sem anemia).
A anemia do Mediterrâneo (ou talassemia) é também doença hereditária, que atinge preferentemente indivíduos dos países mediterrâneos (Itália, Grécia, Espanha, Egito etc). Caracteriza-se pela produção, na medula óssea, de hemácias delgadas e frágeis. Transmite-se como caráter hereditário dominante.
Anemias aplásticas. Também chamadas hipoplásticas ou medulares, as anemias aplásticas decorrem da destruição ou inibição das células que, na medula óssea, são responsáveis pela produção de hemácias. Portanto, a anemia causada por perturbação da eritropoiese medular é dita aplástica. As causas principais são substâncias tóxicas que lesam a medula óssea, tumores ósseos ou metástases cancerosas ao nível do tecido ósseo, leucemia etc.