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Algodão


 Botânica

Embora macias, as fibras do algodão apresentam boa resistência a esforços de tração, o que permitiu, desde tempos remotos, sua utilização na confecção de tecidos.
O algodão é a matéria fibrosa que envolve as sementes do algodoeiro, planta do gênero Gossypium, família das malváceas. As fibras crescem em quantidade considerável, aderidas às sementes e encerradas numa cápsula, que se abre ao amadurecer. As espécies cultivadas são G. herbaceum, G. arboreum, G. barbadense, G. hirsutum.


História. O algodão, segundo os documentos mais antigos, é originário da Índia, tendo-se expandido, através do Irã e da Ásia ocidental, em direção ao norte e oeste. Sua utilização na confecção de tecidos, na China, data de 2200 a.C. Foi introduzido na Grécia por Alexandre o Grande, chegando até o Egito, onde produziu sua melhor espécie, no século V a.C.
Na Europa, que utilizava exclusivamente a lã como fibra têxtil, o algodão veio a ser conhecido a partir da ocupação da península ibérica pelos árabes, nos séculos IX a XI. Na América pré-colombiana, o algodão já era conhecido pelos nativos, que não somente plantavam algumas espécies de algodoeiro, mas sabiam extrair-lhes a fibra, fiar e tecer. Mas foi no século XVIII, com a invenção da máquina de fiar e do tear mecânico por Sir Richard Arkwright e Edmond Cartwright, respectivamente, e do descascador mecânico, por Eli Whitney, que a utilização do algodão na indústria têxtil ganhou impulso.


Cultivo. O algodoeiro é uma planta de clima quente, que não suporta o frio. O período vegetativo varia de cinco a sete meses, conforme a quantidade de calor recebida, e exige verões longos, quentes e bastante úmidos. A cultura requer renovação dos solos, mediante o uso de fertilizantes, rotação de culturas ou ainda, simplesmente, descanso por certo período.
Durante a fase de crescimento, o algodoeiro está exposto a inúmeros inimigos. O excesso ou a carência de chuvas pode perturbar o pleno desenvolvimento da planta. Outro inimigo dessa cultura é a lagarta-rosada, que tem ocasionado enormes prejuízos, embora, hoje, essa e outras pragas sejam combatidas com eficácia.
A cultura do algodão exige mão-de-obra numerosa. Nas propriedades médias e grandes, a mecanização tem atenuado esse requisito, sobretudo nas fases de preparo da terra e de plantio. A colheita, realizada em quase todas as zonas algodoeiras de forma manual, apesar da existência de processos mecanizados, dura várias semanas, já que nem todas as cápsulas se abrem ao mesmo tempo.
A faixa mais propícia ao cultivo do algodão localiza-se entre 25 S e 30 N. Contudo, algumas zonas produtoras de algodão situam-se fora desses limites; as zonas algodoeiras da China e da Rússia, por exemplo, ficam em latitudes mais elevadas. Os principais produtores mundiais de algodão têm sido tradicionalmente a China, os Estados Unidos e o Usbequistão, seguidos por Índia, Paquistão e Brasil.


Beneficiamento e aplicações. Quando o capulho (ou maçã) do algodoeiro amadurece, abre suas três ou cinco células, conforme a variedade, mostrando a matéria fibrosa que envolve as sementes. Depois de colhido, o algodão é levado às usinas de beneficiamento, onde se separa a fibra do caroço. A fibra, matéria-prima para a indústria têxtil e de fiação, é usada também nas indústrias química e farmacêutica (algodão hidrófilo asséptico e algodão cardado).
O caroço do algodão, separado da fibra, é submetido a um segundo processo, chamado de deslinteração. Obtém-se assim o línter, espécie de penugem fortemente presa às sementes, utilizado para encher colchões, travesseiros e almofadas e para fazer fios de alguns tipos de tapetes. O línter é também usado na produção de celulose, de variadíssima aplicação na indústria têxtil (rayon e algodão artificial), na indústria de verniz e outras. É ainda matéria básica da elaboração do algodão absorvente, bem como do algodão para fins cirúrgicos. Na indústria bélica, é empregado na preparação de pólvora, pois dele se obtêm explosivos.
A utilização do caroço de algodão na produção de óleo alimentício só foi possível depois que se conseguiu sua desodorização. Dele se extraem também óleos para usos industriais, como lubrificantes, e matéria-prima para a fabricação de margarina, sabões e graxas.
A torta de caroço de algodão, resultado do processo de extração do óleo, é usada como ingrediente para rações de gado ou como adubo orgânico. A casca tem valor como suplemento mineral e de vitaminas B e C para rações, sendo também usada como adubo em forma de cinza e como combustível. Embora em geral não sejam aproveitados, os restos da cultura do algodão, formados por hastes fibrosas secas dos algodoeiros, constituem matéria-prima para a fabricação de papel.
As sementes do algodoeiro possuem um princípio tóxico, o alcalóide gossipol, que aparece como um pigmento vermelho-castanho no óleo de algodão. Os povos primitivos usam a infusão de frutos novos ou de folhas novas para curar dores de ouvido ou para banhos pós-puerperais.
Algodão no Brasil. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, o algodão já era cultivado, fiado e tecido. Com o algodão os índios fabricavam redes e algumas peças de roupa, empregando-o, também, em tochas incendiárias presas às flechas.
As explorações de algodão brasileiro começaram no século XVI. No século XVIII, a cultura algodoeira tomou impulso no Pará, Maranhão, Ceará, Pernambuco e Bahia. A guerra de Secessão desorganizou a produção americana, e a produção brasileira, estimulada pelo preço, cresceu aos saltos. Em 1825, o algodão contribuía com 30,7% das exportações do país, cabendo ao café 19,8%. Em 1880, batido pelo algodão americano, o brasileiro contribuía apenas com 2,3% das exportações, caindo a 0,1% em 1930. Posteriormente, voltou a contribuir para as exportações brasileiras.
O Brasil tem duas grandes zonas algodoeiras. Uma no Nordeste, que vai do rio Paraguaçu (Bahia) ao Ceará e chega até o Piauí e o Maranhão, e outra em São Paulo, que se prolonga para o norte paranaense e o Triângulo Mineiro. Há uma terceira zona, no norte de Minas Gerais e centro-sul baiano. Os estados que mais produzem algodão arbóreo (em caroço) têm sido Paraná, São Paulo e Bahia.
Quase todas as variedades cultivadas no Brasil pertencem à G. hirsutum. As variedades anuais são cultivadas no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e em zonas do Nordeste, sendo o mocó ou seridó, uma variedade perene, utilizada na fabricação de uma das melhores fibras do mundo.