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Alain Robbe-Grillet


 Biografias

O movimento francês conhecido como nouveau roman (novo romance), surgido na década de 1950, teve em Robbe-Grillet um de seus principais representantes e teóricos.
Alain Robbe-Grillet nasceu em Brest, França, em 18 de agosto de 1922. Após graduar-se como engenheiro agrônomo em Paris, ingressou no Instituto Nacional de Estatística, onde trabalhou por vários anos. Seu primeiro romance, Les Gommes (1953; As borrachas), já apresentava as premissas estéticas expostas pelo escritor numa série de artigos jornalísticos, reunidos mais tarde sob o título Pour un nouveau roman (1963; Por um novo romance). Robbe-Grillet postulava a criação de uma arte adequada aos novos tempos, que descrevesse situações sem lhes atribuir um sentido e rejeitasse as noções tradicionais de argumento e caracterização psicológica em favor de uma absoluta "objetivização". Disse ele: "Deve-se evitar toda humanização do mundo, projeção subjetiva ou metáfora. Toda explicação deve ser substituída pela simples apresentação das coisas."
Suas teorias foram postas em prática nos romances Le Voyeur (1955) e La Jalousie (1957; O ciúme), cujas tramas, irônicas reelaborações das tradicionais histórias policiais, são narradas por meio da descrição dos objetos -- em centímetros, gramas, cor e textura -- e também das imagens de lembranças e sonhos. Uma exacerbação dessa técnica é Dans le labyrinthe (1959; No labirinto), que apresenta uma minuciosa e quase hipnótica descrição de objetos e formas.
Com o roteiro do filme L"Année dernière à Marienbad (1961; O ano passado em Marienbad), dirigido por Alain Resnais, Robbe-Grillet iniciou uma profícua fase de aproximação com o cinema que culminou com sua participação como diretor nos filmes L"Immortelle (1963; A imortal), Trans-Europ-Express (1969) e Le Jeu avec le feu (1975; O jogo com o fogo). Os dois cineastas prosseguiram com suas experimentações visuais e deram singular atenção ao erotismo. Paralelamente, Robbe-Grillet continuou a escrever romances, como Project pour une révolution à New York (1970; Projeto para uma revolução em Nova York), Topologie d"une cité famtôme (1976; Topologia de uma cidade fantasma) e Djinn (1981). Neles, sem abandonar a ênfase descritiva, adota técnicas narrativas mais livres e, por meio às vezes de um cáustico senso de humor, questiona as ambíguas relações entre objetividade e subjetividade.
Robbe-Grillet publicou ainda sua autobiografia, em três volumes. No último deles, Les Derniers jours de Corinthe (1994; Os últimos dias de Corinto), recorda, às vezes com humor, várias figuras com quem conviveu, entre eles seu editor, Jérôme Lindon, prestigiado diretor da Éditions de Minuit, e colegas como Claude Simon, Marguerite Duras, Roland Barthes e Jean-Paul Sartre.