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Agricultura


 Histologia

Desde o aparecimento do ser humano sobre a Terra, passaram-se milênios ao longo dos quais o homem, que se deslocava em hordas e se refugiava em cavernas ou choupanas, obtinha seus alimentos por meio da caça, da pesca e da coleta de produtos silvestres. Progredindo no emprego de técnicas, passou a usar utensílios de pedra cada vez mais polidos e aperfeiçoados, a produzir fogo e a fabricar instrumentos de osso e chifre. Deu-se assim a revolução neolítica, fenômeno responsável por uma transformação radical nos padrões de vida, que passou a centrar-se no cultivo de espécies vegetais e na criação de gado.

Entendida como conjunto de operações e atividades destinadas a cultivar plantas úteis ao ser humano, a agricultura é um setor da economia cuja consolidação foi de importância transcendental na evolução histórica, com implicações sociais, políticas e culturais. A implantação da agricultura deve avaliar-se, por isso mesmo, como uma transformação radical em todos os aspectos da vida humana que determinou, em boa medida, as condições de existência até os dias atuais. Os problemas da agricultura moderna, no entanto, devem ser encarados como partes de uma economia em permanente evolução, da qual essa atividade constitui o setor primário, que inclui também a pecuária e o extrativismo vegetal e mineral. A respeito disso é preciso notar a grande diversidade de culturas praticadas modernamente e a importância delas para as diferentes sociedades, com fatores interligados de todo tipo, que dizem respeito à produtividade, à manutenção de ecossistemas, às variações climáticas e mesmo aos costumes das pessoas que habitam lugares onde existe atividade agrícola.

Resumo histórico

O longo período durante o qual o hábito da agricultura foi se impondo paralelamente à criação de ovelhas, cabras, bois e porcos, pressupôs em primeiro lugar a substituição da economia de subsistência por outra com produção de excedentes. Estes constituíram a base sobre a qual se deu a troca de bens entre membros de diferentes classes sociais e entre grupos assentados em diversas regiões geográficas. Na gênese da atividade agrícola se situam, pois, o início das transações comerciais da forma como são entendidas na atualidade e os primeiros contatos que teriam como resultado as relações políticas entre os povos.

A localização geográfica dos centros ao redor dos quais se estabeleceram lavouras em caráter permanente é uma das questões que mais interessam aos especialistas em história antiga, já que a importância do fenômeno fez desses lugares o berço da civilização. As escavações arqueológicas contribuíram com dados que permitem saber quais foram alguns dos pontos de origem da atividade agrícola, como a Palestina e o Irã, onde foram encontrados restos fósseis de sementes. Esse centro de difusão da agricultura costuma-se fixar aproximadamente no sétimo milênio antes da era cristã e é considerado unanimemente como o primeiro ponto de referência cronológico, embora algumas pesquisas indiquem zonas de difusão agrícola primitiva no sudeste da Ásia e na América Central. Esta última possibilidade suscitou polêmica histórica e antropológica sobre a possível origem múltipla da agricultura, em diferentes pontos de expansão, hipótese que se contrapõe à da zona única de difusão com passagem a outras regiões em ondas sucessivas.

Etapas posteriores de evolução introduziram nas grandes civilizações da antiguidade as primeiras lavouras importantes na Anatólia, no Egito e na bacia mediterrânea (cereais, linho, vinhedos, oliveiras, legumes); no Extremo Oriente (arroz) e na América Central (batata, tomate, milho). A diversificação das culturas, elemento de importância primordial para estender a atividade agrícola a todas as civilizações num lapso de tempo relativamente curto, ocorreu paralelamente ao emprego dos primeiros implementos agrícolas rudimentares. Machados, pás, enxadas e foices passaram a fazer parte do instrumental empregado pelos lavradores desde que se consolidou a atividade agrícola. Foram outras ferramentas, no entanto, como a escavadora das culturas andinas e, especialmente, o arado de grade inventado pelos romanos, as que desencadearam uma radical renovação das técnicas de aragem das lavouras e permitiram o estabelecimento da agricultura de forma sistemática.

As peculiaridades de cada tipo de plantação funcionaram como motores da evolução das técnicas de irrigação, canalização, semeadura e colheita. Assim, por exemplo, a implantação de sistemas de irrigação razoavelmente complexos e a aplicação das plantações em terraço foram conseqüência, na Indochina, da generalização do consumo e do plantio de arroz, que requer terrenos permanentemente encharcados.

Os contínuos progressos da agricultura durante a antiguidade redundaram em novos parâmetros na Idade Média. O valioso acervo de conhecimentos sobre cada particularidade da agronomia e a produção literária que tomou forma na recopilação de escritores italianos como Plínio o Jovem e Lúcio Júnio Moderato Columela, tidos como os primeiros sistematizadores da agronomia como disciplina científica, serviram de base para outros avanços. A nova orientação, que contou com a contribuição da cultura islâmica, em especial no que diz respeito às técnicas de irrigação e canalização, reverteu na consolidação de todos os setores da agricultura, que em muitos casos tornou-se a única atividade econômica organizada.

O fato de grande número de pessoas dedicarem-se ao trabalho agrícola durante a Idade Média teve conseqüências sociais, políticas e relacionadas à distribuição da riqueza. A idéia de campesinato como grupo específico da população prevalecia na ordem feudal e o desenvolvimento das técnicas agrícolas sofreu um processo de estagnação gradual que só foi superado quando teve início a mecanização e a racionalização das lavouras, fenômenos cujo ponto de partida se encontra no século XVIII.

Entre os povos ocidentais, a abertura do caminho para a América no final do século XV possibilitou o acesso a uma variedade de culturas até então desconhecidas na Europa. Em alguns casos, como no da batata, esse fato acarretou importantes mudanças nos hábitos alimentares de todo o Ocidente. O intercâmbio de espécies vegetais cultiváveis entre os dois extremos do oceano Atlântico contemplou principalmente a batata, como já se disse, mas também tomate, fumo e milho, procedentes do Novo Mundo; e o trigo e numerosas variedades hortícolas que, da Europa, passaram primeiro ao continente americano e mais tarde, com as expedições, aos arquipélagos do Pacífico e à Austrália.

O impulso à ciência e à tecnologia trazido pelo pensamento iluminista e, mais tarde, a avalanche de novos recursos conquistados pela revolução industrial traçaram o cenário em que se inseria a nova concepção de agricultura, sempre em evolução mas perene em muitos aspectos. A ampliação e o aperfeiçoamento da maquinaria agrícola, o planejamento da semeadura, o controle da produtividade, o estabelecimento de ciências biológicas e aplicadas como a botânica, a genética e a ecologia, as técnicas de combate às pragas e às doenças que acometem as espécies cultiváveis são alguns dos fatores que caracterizam a agricultura moderna. No entanto, a diversificação de culturas também trouxe problemas que não se verificavam em épocas remotas, embora a pesquisa científica se encontre em melhores condições de enfrentá-los. Nesse particular, cabe mencionar as numerosas pragas produzidas pelo deslocamento de espécies fora de seu ambiente de origem.

A transformação da agricultura em atividade mecanizada, dotada de recursos rudimentares que vieram a beneficiar um setor econômico que, para muitos países, é o principal senão único gerador de riquezas, foi possível graças à criação de uma disciplina específica, a engenharia agronômica. Essa disciplina estuda a adequada disposição das áreas de cultivo e sua delimitação; examina a qualidade e produtividade do solo, num ramo dessa ciência conhecido com o nome de edafologia; pesquisa fertilizantes adequados para cada tipo de cultura e produtos adequados para combater as doenças e pragas que trazem graves prejuízos à produção rural; analisa as condições climáticas e ambientais favoráveis à agricultura e os eventuais inconvenientes que algumas espécies cultivadas podem trazer para as regiões onde são produzidas.

Agricultura e tecnologia

A relação entre crescimento agrícola e progresso tecnológico se manteve constante desde que foram implantadas as primeiras lavouras. Ao longo da história, sucederam-se as contribuições da tecnologia à agricultura, com infinidade de instrumentos muitas vezes caracterizados por um desenho rudimentar e muito simples.

Durante muitos séculos, as ferramentas agrícolas apresentaram como traço fundamental a simplicidade, o que teve conseqüências desfavoráveis para atividades rurais mais especializadas, como a irrigação e a drenagem de terrenos. Da mesma forma, o transporte e os trabalhos de força necessários para desempenhar as diferentes atividades agrícolas se realizaram, até o século XIX, mediante o uso exclusivo de tração animal, sem outra ajuda até que fosse implantada a mecanização.

O invento e utilização de tratores, colheitadeiras, trilhadeiras, ceifadoras e tantos outros dispositivos mecânicos de trabalho agrícola implicaram uma reformulação do setor, especialmente nos países em que o grau de industrialização é elevado, o que representou uma significativa redução de custos e, ao mesmo tempo, aumento da produtividade. A infra-estrutura agrícola de alguns países com produção em aumento apresentou tendência a se modificar no seguinte sentido: lavouras que antigamente tinham que ser dedicadas periodicamente à produção de plantas forrageiras, ou simplesmente eram deixadas em pousio para que se recompusessem do esgotamento do solo, puderam, na era da mecanização, ser aproveitadas para o cultivo de plantas destinadas à alimentação humana e recuperar-se em menos tempo. 

Áreas da agricultura

As modernas idéias sobre agricultura apresentam uma pronunciada tendência ao estudo interdisciplinar, o que pressupõe que a pesquisa e a prática agrícola não sejam reguladas por princípios específicos, mas mantenham relação com outras áreas do conhecimento. Assim, entendida como análise de todas as etapas de produção das plantas cultivadas, a agricultura se apóia nos resultados obtidos pela pesquisa nas áreas da climatologia, da saúde e da economia, cujo objetivo fundamental é a melhora do rendimento e a distribuição adequada das numerosíssimas espécies vegetais capazes de se aclimatarem em cada meio ambiente.

Assim, por exemplo, procura-se o conhecimento das plantas do ponto de vista botânico, com especial atenção aos fatores ambientais. Desse parâmetro de ação nascem ramos combinados de duas ou mais áreas, como a agroclimatologia, ou estudo das variações climáticas quanto a sua incidência sobre a produção agrícola; a fitopatologia agrícola, que se ocupa da descrição e combate das doenças e pragas que afetam a lavoura e, numa amplitude ainda maior, a sociologia agrícola, que estuda as necessidades de cada grupo populacional rural em cada localidade.
As sociedades mais evoluídas tendem à implantação de um sistema agrícola integrado, em que seja possível estabelecer programas de apoio à produção, ao processamento e à distribuição da produção agrícola, ao mesmo tempo que agiliza a relação entre produtores, intermediários e consumidores, para que todos obtenham maiores lucros em menos tempo.

Essa concepção da agricultura dá margem ao estabelecimento de especialidades dedicadas a cada tipo de planta cultivada --  horticultura, fruticultura, olericultura, cerealicultura  -- e a setores de produção afins.

Diversificação das culturas

O papel fundamental desempenhado pela agricultura na economia, desde seus primórdios até a expansão da indústria e do setor de serviços, incentivou o processo sustentado de diversificação de espécies cultivadas, com as limitações impostas pelas características geológicas, climáticas e orográficas dos terrenos a cultivar. Assim, a escolha entre empregar ou não instalações de irrigação, entre policultura ou monocultura, e entre a exploração extensiva ou intensiva do solo, deram como resultado a diversidade de espécies e mesmo, dentro de uma mesma espécie, de variedades.
Não obstante isso, a natureza da aplicação de cada vegetal determina condicionamentos em função dos quais se estabelece uma série de produtos básicos para a alimentação humana e animal, para a obtenção de fibras utilizadas na indústria têxtil, para a obtenção de materiais aplicados na indústria de transformação, como as vagens de certos vegetais, ou a madeira necessária para a fabricação de papel, ou os materiais que se utilizam mais rudimentarmente, na construção de palhoças ou abrigos.

Entre todas as espécies cultivadas, têm especial importância os cereais, plantas das quais se obtêm grãos que desempenham função essencial na alimentação humana. Foram, na verdade, os cereais, e sobretudo o trigo, as espécies vegetais sobre as quais se fundamentaram as primeiras etapas da agricultura. Na planta de espiga se materializa o símbolo da fecundidade das terras, em todas as civilizações. No continente americano, esse papel coube ao milho. Matéria-prima da farinha e do pão, o trigo e demais cereais constituem uma área especial da agronomia, pois, dadas as suas peculiaridades, as entidades dedicadas à gestão econômica da maior parte dos países identificam a produção desse setor com a disponibilidade de alimentos.
Fundamentais para a cerealicultura, os processos de moagem do grão para a obtenção de farinhas e a panificação são duas das operações de maior importância histórica do ponto de vista da influência da agricultura na evolução dos povos. No entanto, a evolução tecnológica na indústria alimentícia e a progressiva diversificação dos artigos de consumo ampliaram extraordinariamente as aplicações dos cereais no campo da nutrição. Assim, dependem desse grupo de alimentos a produção de biscoitos, doces, produtos naturais, massas e forragem para a alimentação de animais.

O interesse pelos derivados dos cereais se estende à fabricação de polvilhos, sacarose, glicose, dextrinas e outros compostos químicos. Do ponto de vista botânico, a maior parte dos cereais se enquadra na família das gramíneas ou poáceas -- alguns cereais de outras famílias, como o trigo-mouro ou fagópiro, são escassamente empregados -- que, portanto, são objeto de pormenorizada análise quanto ao teor de nutrientes, quanto aos níveis de produtividade  e rendimento, quanto à possibilidade de aclimatação das espécies e outros tópicos de índole geográfica, social e econômica. Assim, definem-se como cereais próprios dos países asiáticos o arroz, a soja  e o sorgo; como cereais cultivados preferentemente na Europa, a cevada, a aveia e o trigo; e como o grão economicamente mais importante para a América tropical, o milho.

Outro importante setor agrícola, definido pela especialização da agricultura, é a horticultura, que compreende o trabalho de semeadura, cuidados e colheita de hortaliças, árvores frutíferas e flores. Dentro dessa divisão se cultivam plantas das quais se aproveitam os bulbos, como a cebola e o alho; as folhas, como a alface e o espinafre; os frutos, como tomate, pimentão, melão, maçã, pêra e muitos outros; as raízes, como a cenoura e o rabanete; os tubérculos, como batata, mandioca e inhame; e as sementes, como feijão, grão-de-bico, ervilha e lentilha.

Em todas as culturas são necessários cuidados especiais desde a semeadura até a colheita, mas no caso das hortaliças e frutas esses cuidados devem ser redobrados, especialmente para evitar pragas de insetos e doenças. A aplicação de modernos recursos tecnológicos é, assim, mais freqüente na horticultura que em outras atividades agrícolas, já que as necessidades de água são também proporcionalmente maiores. Equipamentos de irrigação, estufas, sacos plásticos para proteger os frutos, e coberturas feitas de palha ou plástico fornecem a rega e a proteção contra o vento, granizo, geadas e chuvas fortes.
As espécies enquadradas no ramo da horticultura são muito diversas quanto à classificação botânica, porém as mais apreciadas, ou economicamente mais importantes, pertencem a umas poucas famílias principais. Entre as hortaliças, a batata e o tomate pertencem à família das solanáceas; o feijão, a fava  e a ervilha são leguminosas; a alface e a alcachofra são asteráceas; a acelga, o espinafre e a beterraba são quenopodiáceas e, finalmente, o alho, a cebola, o alho-porro e o aspargo pertencem à família das liliáceas. Todos esses vegetais, de grande importância econômica e alimentar, foram adaptados para cultivo em grande escala pela engenharia genética, que criou grande número de variedades adequadas ao consumo humano. É o caso da couve, entidade biológica única (Brassica oleracea) desdobrada em variedades como a couve comum, a couve-flor, a couve-de-bruxelas e o repolho.

Entre as espécies enquadradas na horticultura existem também aquelas cuja aplicação principal é o uso como condimento ou na preparação de infusões ou soluções. O interesse de muitas dessas espécies decorre da importância econômica que tiveram no passado e do papel histórico que desempenharam. As diversas especiarias de origem oriental, por exemplo, foram mercadorias preciosas na Europa durante muitos séculos e seu comércio deu origem a florescentes centros comerciais em Veneza, Gênova, Pisa e Amalfi na época do Renascimento. Mais tarde, a popularização do consumo de bebidas como o café e o chá resultou na valorização econômica dessas mercadorias.

O consumo de infusões como estimulantes ou bebidas refrescantes deu origem, mais recentemente, a um campo autônomo dentro da farmacologia, que é o estudo das propriedades terapêuticas de grande variedade de ervas, empregadas sob a forma de folhas maceradas, raízes moídas ou flores. A medicina natural faz uso também de plantas aromáticas e medicinais.

As árvores frutíferas são provavelmente o conjunto de espécies cultiváveis em que mais se aplicam técnicas de enxertia e cruzamentos a fim de obter novas e melhores variedades. Frutas como a banana e a laranja são comercializadas em grande número de variedades, como maçã, prata, ouro, da terra, d"água ou nanica, são-tomé e outras, no caso da primeira, e seleta, baía, lima, itaboraí e outras, no caso da segunda.

Dentre as espécies cultivadas, destacam-se algumas que têm em comum a variável climática, geralmente relacionada à necessidade de abundante irrigação, a temperaturas elevadas e à riqueza da vegetação e do solo. Trata-se das plantas tropicais, entre as quais há espécies frutíferas, florestais e hortícolas, cuja importância econômica pode ser medida pelos esforços despendidos na adaptação dessas espécies a outros climas a fim de aumentar-lhes a produção.

Cumpre também mencionar o grupo de espécies cultivadas não destinadas à alimentação que servem de matéria-prima a setores industriais da maior importância. Assim, por exemplo, a indústria do papel consome enormes quantidades de madeira, o que exige constante reflorestamento das áreas de extração. A fabricação de móveis e a extração de borracha, igualmente, constituiriam um sério perigo de devastação e conseqüente desequilíbrio ecológico do planeta se não fossem postas em prática políticas de reflorestamento que repusessem os exemplares abatidos e proibissem o corte de árvores nativas em perigo de extinção. Também fazem uso de produtos agrícolas as indústrias têxtil e de confecção, consumidoras de linho, algodão, cânhamo e plantas similares.

Existem também produtos de origem agrícola que não são próprios para consumo direto, humano ou animal. É o caso dos óleos e gorduras vegetais de vários tipos (oliva, milho, girassol e margarinas) que entram no preparo de diferentes pratos e são obtidos por procedimentos industriais. Outros alimentos de consumo freqüente são também objeto de tratamento industrial antes da comercialização no varejo. A farinha de trigo e o pão, componente principal do regime alimentar de muitos povos, demandam instalações industriais para sua elaboração. Os álcoois de diversas qualidades, vinhos e cervejas, de consumo tão difundido, requerem fermentação, engarrafamento ou maturação. Processos similares são aplicados ao fumo e às conservas. 

O aproveitamento industrial ou alimentício de flores de algumas plantas é comum, mas a semeadura, os cuidados durante o desenvolvimento da planta e a colheita de flores com fins ornamentais conformam uma disciplina agrícola especial, a floricultura. Nessa atividade, as operações propriamente agrícolas se complementam com a arte da jardinagem, especialmente nos cultivos em pequena escala. A prevenção e cura das doenças de plantas floríferas constituem um campo singular, já que para muitas espécies é necessário forçar as condições de crescimento em relação ao desenvolvimento natural da planta e, em certo aspecto, isso aumenta os riscos de fitopatologias.

Assim se organiza o complexo espectro de disciplinas e recursos que de alguma forma estão envolvidos na agricultura, setor primordial da economia, para o qual estão voltadas pesquisas de todo tipo, pois dele depende a riqueza da maior parte dos países do mundo. Para esse fim hão de convergir,  portanto, os estudos sobre seleção animal e vegetal, a análise dos mecanismos que comandam a função dos compostos orgânicos do solo e daqueles usados como fertilizantes, além da distribuição das áreas cultiváveis de acordo com critérios de avaliação geoeconômica e ecológica, compatível com a administração, comercialização e processamento industrial da produção agrícola.

O crescimento populacional do planeta, que se acompanha do gradual abandono das tarefas agrícolas por parte de muitos dos que delas se ocuparam tradicionalmente, migrados para a indústria e para atividades no ramo de serviços, envolve o desafio de gerar maiores quantidades de alimentos com menor contingente de trabalhadores e os mesmos recursos naturais: terra cultivável, pastos e outros. É necessário, portanto, racionalizar a exploração dos recursos agrícolas e pecuários para obter maior rendimento das fontes disponíveis, e, paralelamente, incentivar a pesquisa científica e tecnológica voltada para aumentar a produtividade agrícola. A produtividade do trabalhador rural é, hoje em dia, muito maior que em qualquer outra época e tudo indica que a percentagem da população ocupada nesses afazeres continuará decrescendo.

A contribuição de químicos e engenheiros para essa tarefa é essencial. Seu trabalho proporciona um melhor rendimento da terra, produz colheitas mais abundantes e freqüentes, evita o esgotamento dos solos, melhora as propriedades nutritivas dos produtos agropecuários, agiliza as colheitas, implanta instalações industriais onde o gado pode ser estabulado e alimentado com métodos mais econômicos e racionais e proporciona maquinaria capaz de realizar tarefas como a ceifa e a ordenha com maior velocidade, eficiência e higiene. Vale destacar também o trabalho dos especialistas em economia agrícola, que oferecem ao meio rural instrumentos para gerir com melhores resultados as suas empresas.
Tudo o que se disse acima permite olhar o futuro com otimismo. O fantasma de uma escassez geral de alimentos, aparentemente, não ameaça o mundo contemporâneo: pelo contrário, a produção de alimentos de todo tipo se realiza na atualidade com nível técnico e em condições sanitárias sem precedentes no passado.

 

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