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Afonso X o Sábio


 Biografias

Não é na história política e militar da Idade Média  que se devem buscar as marcas deixadas por Afonso X, e sim no terreno do saber, no qual ele desempenhou um papel decisivo dentro da evolução cultural européia.
Afonso X de Castela e Leão, primogênito de Fernando III e da princesa germânica Beatriz de Suábia, nasceu em Burgos em 23 de novembro de 1221. Aos 23 anos, obedecendo a motivações políticas, contraiu matrimônio com Violante de Aragão, e, em 1252, após a morte do pai, subiu ao trono. Entre seus dez filhos, tiveram particular importância histórica o primeiro, Fernando, cuja morte ocasionou lutas armadas por questões sucessórias, e o segundo, que sucederia ao pai no trono com o nome de Sancho IV.
As únicas contribuições bélicas de importância que seu reinado deu à Reconquista foram a campanha de Niebla, cidade tomada pelo monarca em 1262, e as de Jerez, Medina-Sidonia, Lebrija e Cádiz. Tampouco em sua ação política interna lhe sorriu a fortuna: para sufocar o levante mudéjar em Múrcia e na zona cristã da Andaluzia, viu-se forçado a chamar em seu auxílio o rei aragonês Jaime I, seu sogro. Na realidade, grande parte das dificuldades do reinado de Afonso X se deveu a seu intento de reforçar a autoridade real, o que lhe acarretou numerosos choques com os nobres, e ao tempo perdido com suas pretensões frustradas ao trono imperial germânico (ao qual podia aspirar pela linha materna).
A extraordinária obra cultural e científica de Afonso X o Sábio teve três conseqüências transcendentais: com ela se estabeleceram os alicerces da língua castelhana, criou-se um vínculo entre a Europa medieval e a cultura árabe, e pela primeira vez se considerou a história de uma perspectiva moderna. Afonso X reuniu -- em Toledo, Sevilha e Múrcia -- os mais destacados cientistas árabes, judeus e cristãos da época, e impulsionou a célebre escola de tradutores na primeira dessas cidades. Sua obra em prosa, embora de realização coletiva, foi em sua gênese absolutamente pessoal, e pode assim classificar-se: livros históricos -- Primera crónica general (história da Espanha), Gran e general estória (história universal); jurídicos --  Siete partidas (código legal baseado no direito romano e na tradição castelhana) e Foro real; científicos -- Lapidario (descrição e análise de meio milhar de gemas, metais e substâncias), Libros del saber de astronomía (com suas tábuas ditas "afonsinas", mandadas compilar pelo monarca, tratados, resumos e traduções que sintetizavam o saber astronômico da época); recreativos -- Libros de ajedrez, damas e tablas, Libros de cabalos e Calila e Dimna (fabulário). No que se refere a sua obra poética, destacam-se as Cantigas de santa Maria, um dos pontos altos da lírica espanhola (420 composições), e as Cantigas de escarnio. As duas últimas obras foram escritas em galaico-português, a língua utilizada na corte para a expressão poética.
Os últimos anos de Afonso X foram dedicados a resolver a questão sucessória. Afonso de la Cerda, filho do primogênito falecido, e o infante Sancho disputaram o trono. Foi o segundo que conseguiu ser declarado herdeiro da coroa, opondo-se além disso a estabelecer um reino em Jaén para seu sobrinho e oponente, como desejava o rei. Isso provocou a guerra entre pai e filho. O monarca só contou com o apoio de Múrcia e Sevilha, cidade onde morreu, em 4 de abril de 1284.