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Acidentes com a Fauna


 Meio Ambiente

No século XX, até início de 1997, houve 25 grandes derramamentos de óleo no meio ambiente, principalmente no mar. Todos esses grandes derramamentos ocorreram a partir da década de 60, mais precisamente a partir de 1968. Estima-se que, no total, esses grandes derramamentos tenham sido responsáveis por algo em torno de 3,5 milhões de toneladas de óleo derramados, ou 3,9 bilhões de litros de óleo, uma quantidade, porém, difícil de precisar.

O petróleo é considerado o principal poluente do ambiente marinho. O óleo espalha-se pela superfície e forma uma camada compacta que demora anos para ser absorvida. Isso impede a oxigenação da água, mata a fauna e a flora marinhas e altera o ecossistema.

Em relação aos animais, são as aves aquáticas as mais afetadas. Cobertas de petróleo, são incapazes de voar ou nadar e as suas penas deixam de as aquecer. O óleo penetra pelos bulbos, contamina o sistema digestivo e causa má-formação de novas penas.

Muitas morrem, porque não conseguem se alimentar e ao tentarem limpar-se, envenenam-se. Podem ocorrer ainda, segundo estudos, lesões no fígado, nas glândulas supra-renais, impermeabilização das mucosas e destruição da flora intestinal.

As aves podem sofrer ainda de hipotermia, pela perda de equilíbrio térmico, causada pelo óleo sobre as penas. Irritações na pele e ingestão de óleo ocorrem, provocando sérias intoxicações, comprometendo a vida das aves.

Então, alimento é fornecido às aves. Caso não possam ingerir por si próprias, a alimentação deve ser feita através de sondas, contendo glicose e antibiótico.

Estas aves ficam em jaulas com aquecimento, sendo observadas por biólogos e/ou veterinários.

 

Tratamentos

Em casos de acidentes, há uma equipe que sai com barcos para o resgate dos animais afetados pelo óleo. Ao avistar o animal sujo, a equipe se desloca para bem próximo do animal. Da fauna, as aves são as mais afetadas.
Ao capturar as aves, o primeiro procedimento a se realizar é a desobstrução das fossas nasais e limpeza do bico. Para a limpeza dos olhos, aplica-se uma pomada oftálmica com antibiótico cloranfenicol com vitamina A.

Quando se captura aves em estado de choque, é utilizado corticóide dexametasona. Depois deste atendimento inicial, o animal é envolvido em panos ou papel toalha na tentativa de elevar-se a temperatura corporal.

Em seguida, o animal é levado ao centro de reabilitação, onde são verificadas a condição corpórea através da musculatura peitoral e possíveis lesões e ferimentos e onde ainda é feito uma nova limpeza dos resíduos encontrados no bico e nas fossas nasais.

Para a desintoxicação das aves, é utilizado solução de glicose com carvão ativado, para remover toxinas encontradas no trato digestivo. Posteriormente, estes animais são colocados em caixas de papelão com aquecimento.

Na seqüência as aves são submetidas a banhos de água com detergente neutro para retirada completa do óleo do corpo. As aves estando limpas são secas com toalhas e colocadas em caixas com aquecimento.

Então, alimento é fornecido às aves. Caso não possam ingerir por si próprias, a alimentação deve ser feita através de sondas, contendo glicose e antibiótico.

Estas aves ficam em jaulas com aquecimento, sendo observadas por biólogos e/ou veterinários.

Se a ave apresentar uma boa recuperação, deve ser feito o teste de flutuabilidade na piscina: ela deve ser capaz de permanecer na água de 15 a 90 minutos, dependendo da espécie.

A reabilitação das aves, pela contaminação do óleo, varia de acordo com a espécie. Patos selvagens, por exemplo, podem ser facilmente tratados em apenas alguns dias. Aves oceânicas (ex.: mergulhões), são mais difíceis para abrigar, alimentar e impermeabilizar, sendo mais sensíveis às doenças de origem terrestres.

Uma ave pronta para a libertação deve estar com o peso médio para a sua espécie e sexo. Ela deverá estar com a musculatura em ordem, de modo que possa se alimentar normalmente em seu hábitat silvestre.

Durante um vazamento, cada ave deverá receber uma identificação (anel, cinta) quando da admissão, sendo mantidos registros individuais para cada etapa do processo de reabilitação.

Um animal resgatado em um acidente e reabilitado não deve ficar muito tempo em cativeiro, sendo devolvido ao seu hábitat natural rapidamente, de preferência no mesmo ponto de captura. Muitas aves morrem durante o período de tratamento e recuperação. Muitos estudos mostram que mesmo depois de liberadas muitas aves não sobrevivem por muito tempo.

Os efeitos ambientais envolvem microorganismos, invertebrados e peixes que são parte da cadeia alimentar das aves aquáticas. Estudos revelam que o óleo pode causar alterações comportamentais, resultando numa redução dos alimentos disponíveis.