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A. R. Radcliffe-Brown


 Biografias

O estudo das sociedades humanas foi reconhecido como ciência a partir de trabalhos como os de Radcliffe-Brown, para quem os fatos sociais deveriam ser tratados como fatos naturais, passíveis, portanto, de permitir a descoberta das leis que os governam.
Alfred Reginald Radcliffe-Brown nasceu em Birmingham, Warwick, Inglaterra, em 17 de janeiro de 1881. Entre 1906 e 1912, realizou pesquisas antropológicas nas ilhas Andaman, a sudoeste da Indochina, e na Austrália ocidental, a fim de estudar os sistemas de parentesco e a organização familiar dos povos aborígines. Dessa viagem resultou The Andaman Islanders (1922; Os ilhéus andamaneses).
Foi professor de antropologia na Cidade do Cabo, África do Sul, e em Sydney, Austrália. Seu objetivo de integrar a reflexão teórica com o trabalho de campo achou plena expressão em The Social Organization of Australian Tribes (1931; A organização social das tribos australianas). O livro, que menciona todos os aborígines australianos conhecidos na época, reúne e analisa grande número de dados sobre parentesco, casamento, língua, costumes, ocupação e posse da terra, padrões sexuais e cosmologia. Explica o fenômeno social como um conjunto de sistemas permanentes de adaptação, fusão e integração de elementos.
Radcliffe-Brown reclamou a condição de ciência para a antropologia e para as demais disciplinas das sociedades humanas. Enunciou dois conceitos fundamentais para a compreensão de sua teoria antropológica: o de estrutura e o de função, o primeiro ligado à morfologia das sociedades e o segundo a sua fisiologia. Por estrutura social entendia a trama de todas as relações observadas numa sociedade, num momento dado. Identificava, assim, a estrutura com as próprias relações sociais, ao contrário do antropólogo estruturalista Claude Lévi-Strauss, para quem as relações sociais não são mais que a matéria-prima da qual o pesquisador abstrai a estrutura social.
Nos Estados Unidos, Radcliffe-Brown lecionou em Chicago e Oxford, onde publicou Structure and Function in Primitive Society (1952; Estrutura nas sociedades primitivas). Foi professor-visitante das universidades de Yenching, São Paulo, e Faruk I, em Alexandria, no Egito, onde também dirigiu o Instituto de Estudos Sociais. Morreu em Londres, em 24 de outubro de 1955.