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A Imunidade


 Imunologia

1. A Aquisição de Imunidade

Ao mesmo tempo que muitos infócitos B estão se convertendo em plasmócitos, outros transformam-se em linfócitos B de memória (ou células de memória). Caso a pessoa entre em contato com o mesmo agente infeccioso, em uma outra oportunidade, essas células irão se transformar em plasmócitos e desencadear uma produção de anticorpos rápida e intensa. Por isso, certas doenças infecciosas deixam imunidade, ou seja, só acometem uma vez uma determinada pessoa. Alguns exemplos de doenças que deixam imunidade são: o sarampo, a catapora, a caxumba, a rubéola, etc.

A resposta desencadeada na segunda exposição aos mesmos antígenos, chamada resposta imune secundária, é muito mais rápida e intensa que a resposta ocorrida frente à primeira exposição ao mesmo antígeno (a resposta imune primária).

2. A Prática das Imunizações

A resposta imune pode ser empregada como um poderoso aliado dos médicos, no tratamento e na prevenção de doenças infecciosas. O processo de tornar um indivíduo protegido contra uma doença chama-se imunização.

Pode-se conseguir a imunização de duas maneiras distintas: fornecendo-se ao indivíduo anticorpos contra certo antígeno (imunização passiva) ou estimulando-o a gerar seus próprios anticorpos (imunização ativa). Tanto uma maneira como outra podem se dar por via natural ou artificial. Habitualmente, as formas passivas de imunização são transitórias, enquanto as formas ativas são duradouras ou mesmo permanentes.

Imunização Passiva

A imunidade passiva é a proteção conferida pela transferência de anticorpos (imunoglobulinas, Ig). Estas podem ser transmitidas artificialmente por administração parenteral (oriundas do processamento de soro humano ou animal) ou naturalmente como a transmissão transplacentária de anticorpos maternos para o feto.

A vantagem conferida por este tipo de imunidade é sua ação imediata, isto é: disponibilidade de anticorpos no organismo do paciente logo após a administração do imunobiológico.A desvantagem deste tipo de imunidade é seu caráter temporário, pois os anticorpos circulantes são degradados em semanas ou meses, não restando imunidade depois da diminuição do nível sérico de anticorpo transferido.


A - Imunização Passiva Natural

Forma de imunização em que um indivíduo recebe anticorpos de outro indivíduo, por uma via natural.

Os principais exemplos são:

Via placentária: alguns tipos de anticorpos atravessam a placenta, passando da circulação materna para a fetal. Ao nascer, a criança possui uma grande quantidade desses anticorpos, que permanecem em seu organismo por 6 a 9.

Aleitamento materno: o leite materno não é apenas o mais adequado alimento que um recém-nascido pode receber. Trata-se, ainda, de uma poderosa arma de prevenção e de combate às infecções, que a criança recebe de sua mãe, pois contém anticorpos.

Particularmente importante é o leite produzido nos primeiros dias logo após o parto, chamado colostro. Sua concentração de anticorpos é muito elevada, e esses anticorpos atapetam o tubo digestivo da criança, constituindo-se em uma eficiente barreira contra infecções intestinais.

Além de anticorpos, o leite materno também contém outros fatores de proteção, como células fagocitárias e anticorpos.


B - Imunização Passiva Artificial

Há diversas formas artificiais de transferência de anticorpos para uma pessoa. Vejamos algumas delas:

· Transfusão de plasma humano: o plasma humano contém certa quantidade de anticorpos. Ao receber transfusão de plasma (ou mesmo de sangue), o receptor estará recebendo anticorpos. A quantidade geralmente é pequena para que possa determinar uma imunização efetiva.

· Gamaglobulina: a partir de plasma de diversos doadores, pode-se purificar a fração correspondente aos anticorpos, chamada gamaglobulina. Na verdade, consiste em um pool de anticorpos contra uma grande quantidade de antígenos diferentes. Portanto, não apresenta especificidade.

· Soros: o soro é um tipo de gamaglobulina com elevada concentração de um determinado tipo de anticorpos. Pode ser homólogo, quando obtido de sangue humano, ou heterólogo, se for produzido por outras espécies.

Um exemplo é o do soro antiofídico. Uma certa quantidade de veneno de serpente é inoculada em cavalo, repetidas vezes. Depois de o cavalo estar suficientemente imunizado, é feita coleta de seu sangue, o plasma é separado, e, dele, purificada a fração contendo os anticorpos específicos para o veneno da serpente.

Cada soro só é eficaz contra um determinado tipo de veneno: soro antibotrópico (contra veneno de cobras do gênero Botrophs, como a jararaca e a urutu), soro anticrotálico (contra veneno de cascavel), soro antielapídico (contra o veneno da cobra coral-verdadeira). O conhecido soro antiofídico polivalente é uma mistura dos dois primeiros tipos, e é bastante empregado, principalmente quando não se tem idéia sobre a espécie de cobra que provocou a picada.


C - Imunização Ativa Natural

Como uma pessoa pode ser naturalmente estimulada a produzir anticorpos contra um determinado antígeno? Entrando em contato com ele naturalmente, ao longo de sua vida. Isso acontece, por exemplo, quando uma criança "pega" caxumba, catapora ou sarampo.


D - Imunização Ativa Artificial

A forma artificial de estimular a produção de anticorpos e a aquisição de células de memória é o emprego das vacinas, antígenos capazes de desencadear uma resposta imune sem causar a doença.

Há diversos tipos de vacinas:

Agente infeccioso morto: uma bactéria ou um vírus podem ser mortos por agentes físicos (calor ou radiações) ou químicos. Quando aplicados em uma pessoa, serão reconhecidos como partículas estranhas e irão levar à aquisição de imunidade. Exemplos: vacina anticoqueluche, vacina Salk (contra a poliomielite), etc.

Agente vivo atenuado: há meios de se atenuar um agente infeccioso, mantendo-o vivo mas sem a capacidade de provocar a doença.Exemplos: vacina anti-sarampo, vacina BCG (contra a tuberculose), vacina Sabin (anti-poliomielite), vacina contra a febre amarela, etc.