A Defesa Orgânica - BioMania
O melhor portal biológico da internet!



A Defesa Orgânica


 Imunologia

1. Apresentação

Vivemos em ambientes repletos de microorganismos potencialmente capazes de nos causar doenças. São os chamaos agentes infecciosos ou patogênicos. Todos os dias, milhares deles penetram em nosso corpo através da pele, das vias aéreas e das vias digestivas. Entretanto, a incidência de doenças infecciosas, ao longo da vida de uma pessoa, é surpreendentemente baixa. Isso se deve a um bem equipado "exército de defesa", estrategicamente localizado em todas as partes do corpo.

O combate aos agentes infecciosos ocorre, habitualmente, graças a três tipos de mecanismos:

1) processos que tentam evitar a penetração do agente infeccioso;

2) respostas inespecíficas contra esse agente;

3) resposta imune específica.

A seguir, passaremos a descrever de forma sumária cada um desses processos.

2. As Barreiras Naturais

Nosso corpo apresenta alguns órgãos que expõem grande superfície ao contato com o ambiente e, portanto, constituem-se em verdadeiras "portas de entrada"para agentes infecciosos. Os principais são a pele, as vias aéreas, o tubo digestivo e as vias urinárias. Cada uma delas possui seus artifícios contra a penetração de microorganismos.

A pele é revestida, em seu estrato mais superficial, por uma camada de células mortas, impregnadas por queratina, uma proteína. Além de garantir certa impermeabilização, essa camada representa uma barreira mecânica eficaz contra a penetração de agentes infecciosos. As secreções sebáceas também contribuem para a proteção da pele, pois possuem ácidos graxos de ação antimicrobiana.

As mucosas das vias aéreas, digestivas e urinárias contam com muitas substâncias dotadas de ação antimicrobiana, como anticorpos e lisozima. Entretanto, como são desprovidas da camada de células mortas, geralmente são o local de penetração de microorganismos patogênicos.

3. A Resposta Imune Inespecífica

Quando um agente infeccioso consegue vencer as barreiras naturais e penetrar no corpo, um "sinal de alerta" é acionado. No local da invasão, os tecidos lesados liberam determinadas substâncias que atuam como mensageiros químicos, informando ao restante do corpo sobre o ocorrido.

Algumas dessas substâncias desencadeiam uma resposta conhecida por inflamação. Com isso, a região torna-se vermelha e quente. A permeabilidade dos capilares sangüíneos aumenta, determinando extravasamento de líquido para o espaço intercelular. Isso manifesta-se na forma de edema ("inchaço") Normalmente, a região inflamada torna-se dolorida. Essas são as três principais manifestações de uma inflamação: dor local, vermelhidão e edema.

Acompanhando essa inflamação, aumenta a chegada de células de defesa no local da invasão. Atraídos quimicamente, os glóbulos brancos neutrófilos atravessam a parede dos vasos sangüíneos, alcançando o local da infecção. Essa propriedade chama-se diapedese. Uma vez em contato com os agentes infecciosos, os neutrófilos passam a fagocitá-los avidamente, destruindo-os no citoplasma graças à ação de suas enzimas lisossomais. Geralmente, a lise intracelular das bactérias libera toxinas que acabam por determinar a morte dos próprios neutrófilos.

No local da infecção, costumam-se acumular restos de tecidos destruídos, bactérias mortas e neutrófilos mortos ou vivos. Esse material é chamado "pus", e normalmente é drenado para fora do corpo. Além dos neutrófilos, outras células também contribuem para fagocitar e destruir os microorganismos. São os macrófagos (derivados dos monócitos circulantes) e os histiócitos (células gafocitárias fixas nos tecidos).

Na grande maioria dos casos de invasão, essa etapa da resposta imune é suficiente para interromper o processo. Caso isso não ocorra, a batalha passa para um outro nível: a resposta imune específica.

4. A Resposta Imune Específica

Substâncias estranhas ao corpo costumam desencadear uma resposta de defesa que envolve a participação de células e de anticorpos. Essas substâncias são conhecidas como antígenos, e podem ser componentes das células dos agentes infecciosos (vírus ou bactérias), toxinas produzidas por esses mesmos agentes (como a toxina tetânica e a toxina diftérica), ou simples moléculas provenientes de outros seres vivos.

As células fagocitárias da nossa defesa orgânica atuam como células apresentadoras de antígenos. Quando combatem e destroem agentes infecciosos, colocam os antígenos desses agentes em contato com células reconhecedoras, os linfócitos T. Quando os linfócitos T são estimulados pelos antígenos, passam a secretar linfocinas, substâncias que iniciam a etapa específica da resposta imune.

Algumas dessas linfocinas aumentam a migração de neutrófilos para o local da infecção, elevando a capacidade de destruição de microorganismos. Outras linfocinas atuam sobre os linfócitos B, células que, quando estimuladas, convertem-se em plasmócitos, células produtoras de anticorpos.

5. Os Anticorpos

Também chamados imunoglobulinas, são proteínas essenciais para o processo de defesa contra infecções. Atuam basicamente de três maneiras:

a) provocando a lise dos microorganismos, geralmente destruindo seus envoltórios;

b) facilitando a ação das células fagocitárias, principalmente contra bactérias dotadas de cápsulas que dificultam a fagocitose;

c) impedindo a penetração dos agentes infecciosos nas barreiras naturais, como fazem os anticorpos presentes nas secreções (lágrima, saliva, leite, etc.)

A atuação de cada anticorpo é específica para o antígeno contra o qual ele foi produzido. Dessa forma, o anticorpo específico para o vírus causador da caxumba não se liga ao vírus causador do sarampo, e vice-versa.

l